Em entrevista à Agência ECCLESIA e à Renascença, o novo bispo auxiliar de Lisboa perspetiva a JMJ, em 2022, e diz que a Igreja Católica tem “muitíssimo a fazer” na comunicação

Foto Joana Bougard/Renascença

Lisboa, 01 mar 2019 (Ecclesia) –  O novo bispo auxiliar de Lisboa vai integrar a organização da Jornada Mundial da Juventude, em 2022, disse que “há muitíssimo a fazer” na comunicação da Igreja Católica e considera os media um setor do Portugal democrático a “monitorizar”.

Em entrevista à Agência ECCLESIA e à Renascença, D. Américo Aguiar afirmou que é preciso saber “quem é quem” nos grupos de media em Portugal, condição para identificar “critérios” nas escolhas editoriais que ofereçam aos portugueses as “ferramentas” para “fazer uma leitura da sociedade”.

O novo bispo auxiliar de Lisboa referiu-se ao ano eleitoral em curso e à possibilidade dos portugueses ficarem “com menos meios para fazer uma opção correta sobre o seu voto” por causa das “leituras oferecidas” da realidade serem “enviesadas”.

“A partir do momento em que tenhamos meios de comunicação social que são propriedade de fundos, que não sabemos o dono, não sabemos quem é quem, podemos começar a ficar preocupados pelos critérios: porque esta notícia e não outra?”, questionou.

D. Américo Aguiar referiu-se também à comunicação na Igreja Católica afirmando que há “muitíssimo a fazer” e apontando a necessidade de “sincronizar” os “muitos e bons exemplos” em “resultados nacionais na pastoral das comunicações sociais”.

“Andamos há muitos anos a refletir sobre a urgência, a necessidade e a oportunidade. O diagnóstico está feito. Precisamos de passar para a operacionalização das coisas. E aí temos tido algumas dificuldades”, afirmou.

Na entrevista à Agência ECCLESIA e à Renascença por ocasião da nomeação para bispo auxiliar de Lisboa, D. Américo Aguiar disse que “seria hipócrita” se negasse que nunca tinha ouvido falar da possibilidade de ser eleito para o ministério episcopal, uma possibilidade a que “qualquer sacerdote”  está sujeito.

Ordenado padre em 2001, Américo Aguiar foi colaborador próximo dos bispos do Porto desde 2004, quando D. Armindo Lopes Coelho o nomeou vigário-geral da diocese, cargo que manteve com D. Manuel Clemente, entre 2007 e 2013, e D. António Francisco dos Santos, desde 2013 e até à nomeação para o Conselho de Gerência da Renascença, em 2015.

“Eu não me posso queixar daquilo em que me vou meter porque nos últimos 18 anos fui o ‘BackOffice’ de vários”, afirmou, acrescentando que tem “plena consciência da alegria que será o exercício deste ministério” e da sua “pequenez” para o concretizar.

Presidente da Irmandade dos Clérigos desde 2011, onde liderou o trabalho de renovação e restauro da igreja e da torre emblemática da cidade do Porto, D. Américo Aguiar disse que vai deixar o que considera ser a sua “menina”, continua na presidência do Conselho de Gerência da Renascença e deixa o cargo de diretor do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais.
O novo bispo auxiliar de Lisboa informou ainda que vai ser o coordenador da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) com D. Joaquim Mendes, também bispo auxiliar de Lisboa.

“A estrutura está pré-definida: existe o COL, o Comité Organizador Local, a que preside o senhor patriarca de Lisboa, e que tem dois ‘pulmões’: o senhor D. Joaquim Mendes e eu. Um tem uma área mais pastoral e outro uma área mais executiva, logística”, afirmou D. Américo Aguiar, referindo que fica a sue cargo a área executiva.

Para o novo bispo auxiliar de Lisboa a JMJ “é iniciativa do Papa, que a entrega operacionalmente a uma diocese e a partir daí é um evento para o mundo inteiro”, considerando que é necessário o “contributo de todos”, das várias dioceses, para realizar um desafio que “esmaga”.

“Vamos organizar a melhor Jornada Mundial da Juventude de sempre”, disse D. Américo Aguiar, considerando que “ninguém está dispensado” de ajudar à concretização de um acontecimento “dos jovens, pelos jovens e para os jovens”, “de Lisboa, do país inteiro e do mundo inteiro”.

D. Américo Aguiar vai ser ordenado bispo na igreja da Trindade, no Porto, no dia 31 de março.

Ângela Roque (Renascença) e Paulo Rocha (Agência Ecclesia)

PR

 

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