«Ninguém pode ser impedido de procurar a verdade segundo a sua consciência», disse D. Rui Valério, em sessão promovida pela Assembleia da República

Lisboa, 23 jun 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa reivindicou segunda-feira o direito à expressão pública da fé, recusando a sua remissão para a esfera privada como prova de maturidade democrática.
“Poder expressar a minha fé num espaço público é um sintoma de que vivemos numa sociedade madura do ponto de vista democrático”, sublinhou D. Rui Valério, durante as comemorações do Dia Nacional da Liberdade Religiosa e do Diálogo Inter-Religioso promovidas pelo Parlamento português.
“Ninguém pode ser coagido, obrigado a acreditar, mas também não pode ser impedido de procurar a verdade segundo a sua consciência”, acrescentou, numa intervenção divulgada pelo Patriarcado de Lisboa.
O responsável católico destacou que a garantia deste direito não decorre de uma “visão relativista”, mas da própria “dignidade da consciência humana”,.
“É no capítulo da liberdade religiosa que o próprio ser humano exerce aquele direito fundamental de ser ele próprio”, sustentou.
Para o patriarca de Lisboa, está em causa uma “faceta essencial” da identidade antropológica.
“O espaço do religioso restitui ao homem esta possibilidade de acreditar que o amanhã pode ser melhor”, frisou D. Rui Valério.
O encontro na Assembleia da República contou com a presença do presidente do Parlamento, José Pedro Aguiar-Branco; de Marcelo Rebelo de Sousa, antigo presidente da República; do imã da Mesquita Central de Lisboa, xeque David Munir; e do rabino da Comunidade Judaica de Lisboa, Pierpaolo Punturello.
A iniciativa mobilizou inda dezenas de jovens de colégios internacionais para escutar o painel sobre os desafios da tolerância na sociedade contemporânea.
“A religião é uma opção. E como tal, a opção brota de uma escolha que tu exerces a partir de nenhuma outra determinação que não seja aquela que encontras em ti mesmo”, referiu o patriarca de Lisboa.
OC
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