Um sacerdote e um dirigente sindical ajudaram a aprofundar a realidade do mundo do trabalho, nas dimensões «espiritual, histórica e da atualidade»

Lisboa, 28 abr 2026 (Ecclesia) – A Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos (LOC/MTC) do Patriarcado de Lisboa celebrou o Dia da Solidariedade, de preparação para as comemorações do 1º de Maio, este domingo, 26 de abril, no Centro Pastoral do Santíssimo Redentor da Damaia.
A coordenadora diocesana da LOC/MTC, Helena Martins, destacou que para este movimento a solidariedade “não é apenas um gesto pontual”, mas um compromisso estruturante com “a melhoria das condições de vida e de trabalho”, unindo o pensamento cristão com ação prática na sociedade, informa um comunicado enviado, esta terça-feira, à Agência ECCLESIA.
A celebração deste Dia da Solidariedade 2026, de preparação para as comemorações do próximo 1º de Maio – Dia de São José Operário e Dia do Trabalhador, teve como oradores o pároco da Damaia, o padre Ilídio Troco, e o dirigente sindical José Correia, responsável pelo Gabinete de Estudos da CGTP-IN.
Segundo a LOC/MTC de Lisboa, os dois convidados “muito contribuíram” para o aprofundamento da realidade do mundo do trabalho, “quer na sua dimensão espiritual, histórica e da atualidade”.
O pároco da Damaia destacou a forma discreta, mas em ação, como São José, carpinteiro, – Patrono dos Trabalhadores – acompanhou Maria e Jesus; Jesus aprendeu com ele “a missão do trabalho”, e o trabalho é a colaboração do homem e da mulher “com Deus, no aperfeiçoamento da Criação”.
Segundo o padre Ilídio Troco, destaca o comunicado, “urge priorizar a evangelização do mundo do trabalho”, promover a defesa do trabalho digno, através do testemunho de vida como cristãos, “a partir da postura de cada um no dia a dia, como sinal que difunde espiritualidade”, e assinalou que a oração é um “pulmão forte que une”.
A celebração litúrgica de São José Operário foi instituída no dia 1 de maio de 1955, pelo Papa Pio XII, diante de milhares de trabalhadores italianos: “Longe de despertar discórdia, ódios e violência, o 1º de maio é e será um recorrente convite à sociedade moderna a realizar aquilo que ainda falta à paz social”; foi declarado patrono da Igreja universal em 1870, por Pio IX.
José Correia, dirigente sindical, explicou como se chegou ao 1.º de Maio, e que o Direito do Trabalho aparece porque se constata que “há uma parte muito desfavorecida”, e era preciso “estabelecer o equilíbrio entre empresas e trabalhadores”, a importância da conciliação entre vida familiar, profissional, cultural, formativa.
O responsável pelo Gabinete de Estudos da Central Sindical CGTP-IN referiu-se à atual revisão do Código do Trabalho, à importância dos imigrantes, e também partilhou alguns números, como a existência de “1 milhão e 600 mil pobres”, entre 2023/2024 “cerca de 9% dos trabalhadores em Portugal estavam em risco de pobreza”, a precariedade contratual e o “falso trabalho independente são fatores determinantes”.
A Liga Operária Católica – Movimento de Trabalhadores Cristãos do Patriarcado de Lisboa recorda ainda que um Grupo de Base que reúne quinzenalmente, teve início há um ano, na Paróquia da Damáia, na Amadora; na diocese vão continuar as reflexões, seguindo o método da Revisão de Vida – Ver, Julgar, Agir -, testemunhando a “militância fundada na fé que ilumina a pessoa do trabalhador/a, aprofundando a caminhada sinodal da Igreja”.
A LOC/MTC é um movimento especializado da Ação Católica que, atua pelo seu testemunho da mensagem cristã, no mundo do trabalho e da família.
Em Portugal, a Liga Operária Católica/Movimento Trabalhadores Cristãos nasceu a 10 de junho de 1974, da fusão da LOC Feminina (5 de maio de 1936), e da LOC Masculina (12 de dezembro de 1936); a designação LOC/MTC foi aprovada pelo X Congresso Nacional de militantes e confirmada pelo Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa, em 1998.
CB/PR
