Lisboa: Cardeal-patriarca alerta para redução do Natal aos «presentes» e a «contrafações» sem substância

Mensagem deixada em celebração do I Domingo do Advento, com a ordenação de três diáconos no Mosteiro dos Jerónimos

Lisboa, 28 nov 2022 (Ecclesia) – O cardeal-patriarca de Lisboa disse este domingo que as celebrações como o Natal, que a Igreja Católica começou a preparar, são mais do que os “presentes” e as “contrafações” que surgem na sociedade.

“Quando desconhecemos ou perdemos este horizonte definitivo, ficamo-nos por nós, reduzimos o sentimento religioso e desvirtuamos as palavras e os ritos. Ficamos depois com mais um Natal de presentes, uma Páscoa de amêndoas e outras coisas que não chegam – nem chegam a todos, por falta de posses, nem chegam ao coração, por falta de substância”, destacou D. Manuel Clemente, na homilia da Missa a que presidiu no Mosteiro dos Jerónimos, durante a qual ordenou três diáconos.

“Datas que perdem o significado e até mudam de nome e conteúdo, nas tristes contrafações que por aí vemos”, acrescentou.

Os novos diáconos são Hélio Soares (paróquia de Monte Abraão), Miguel Teixeira Duarte (paróquia de São Nicolau) e Nuno Vicente (paróquia de São João das Lampas), do Patriarcado de Lisboa, são alunos do 6.º ano do Seminário Maior de Cristo-Rei dos Olivais, onde se preparam para o sacerdócio.

“A vida consagrada, ou o celibato por ‘amor do Reino dos Céus’ (cf. Mt 19, 12) em que os ordinandos de hoje se comprometem, são sinais vivos da realidade definitiva, seguindo o exemplo do próprio Jesus que assim viveu e quis lembrar, para bem de todos. Porque o bem de todos é nunca esquecer que verdadeiramente ‘só Deus basta’”, referiu o cardeal-patriarca.

A intervenção aludiu ao tempo de preparação para o Natal, nas quatro semanas que marcam também o início do ano litúrgico, no calendário católico.

“Entramos em Advento. Entramos liturgicamente: entremos existencialmente, entremos totalmente”, apelou D. Manuel Clemente.

“Não tardemos, porque Deus não demora”, prosseguiu

O responsável convidou os participantes a fazer da sua vida um tempo de partilha, como “aprendizagem de Deus”.

É verdade e bem verdade que em Cristo a nossa humanidade foi preenchida por Deus Filho. É essa a verdade que o Natal assinalará. Mas tal aconteceu para nos levar a Deus Pai, do qual provém e para O qual retorna, levando-nos consigo, no Espírito que deixou”.

O cardeal português sublinhou a necessidade de fazer do Advento uma ocasião de “preparação espiritual”, ao encontro de Jesus, cuja presença vem “premiar todo o bem e afastar todo o mal que os milénios registaram”.

“Falta garantir outra coisa, que é aproximar-se cada um de Deus. Isso é connosco, com cada um de nós e sem responsabilidade transferida ou adiada. Isto mesmo nos faz perceber que o Advento tanto é celebração como deve ser prática, aplicada e permanente”, indicou.

D. Manuel Clemente aludiu ainda à preparação da próxima Jornada Mundial da Juventude, que Lisboa vai receber em 2023.

“São já muitos milhares os que a preparam com grande entusiamo e entrega, em Portugal e por esse mundo além – que assim se fará aquém, quando chegarmos ao próximo agosto. Participam verdadeiramente do ‘sim’ de Maria, Nossa Senhora da Visitação, certos de que para a imensidão da tarefa que temos pela frente Deus conta com o nosso sim para fazer muito mais”, declarou.

OC

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