D. Rui Valério presidiu à Eucaristia que assinalou a conclusão do percurso académico de 73 estudantes finalistas, na igreja de São Vicente de Fora

Lisboa, 05 jul 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa desafiou, na sexta-feira, na igreja de São Vicente de Fora, na capital, 73 finalistas da licenciatura em Enfermagem da Universidade Católica Portuguesa, a fazer do cuidado uma verdadeira participação na vida e no sofrimento de cada pessoa.
“As vossas mãos não podem ser só instrumento, mas por elas e através delas vós tornai-vos participantes daquilo que o doente, o paciente está a viver”, afirmou D. Rui Valério, na homilia da Missa, que marcou a conclusão do percurso académico dos estudantes, informa o Patriarcado de Lisboa.
O responsável católico defendeu que o enfermeiro não pode limitar-se aos cuidados clínicos: “Temos que ser aqueles e aquelas que participam do sofrimento do doente. Ele sofre e eu com ele sofro”.
A Eucaristia incluiu a Cerimónia do Compromisso Profissional – ‘Juramento de Nightingale’, momento de promessa profissional do enfermeiro, organizada pela Escola de Enfermagem (Lisboa) da Universidade Católica Portuguesa.
D. Rui Valério lembrou que o cuidado não se reduz à competência técnica, salientando que os futuros finalistas, com as mãos, ajudam os doentes e contribuem para a sua cura, no entanto “isso não chega para o ser humano”.
O patriarca evocou o testemunho de um capelão hospitalar, durante a pandemia da Covid-19, para ilustrar a importância da proximidade humana.
O ser humano precisa tanto dos antibióticos como precisa de um sorriso. O ser humano precisa tanto daquelas mãos técnicas como precisa de um ato de ternura”, frisou.
“Nunca se esqueçam: com as vossas mãos dais vida, restituís saúde, mas depois dai também alegria, beleza, encanto e sentido à existência”, exortou D. Rui Valério.
Na homilia, o patriarca de Lisboa explicou que bênção das mãos vai muito além de um gesto simbólico, recordando que, na tradição bíblica, esta revelava a origem divina da missão confiada aos sacerdotes e aos reis.
“Desta forma, caros enfermeiros, nós poderíamos dizer que a vossa vocação e a vossa missão de enfermeiros não é só para responder a uma necessidade ou a uma contingência da sociedade. É mais do que isso”, destacou.
D. Rui Valério indicou aos finalistas que na sua missão, no desempenho da sua ação e no seu dia a dia, estarão “revestidos de algo que é divino”.
“O enfermeiro ou a enfermeira é um servidor. É alguém que está ao serviço, não de si, mas do outro, dos mais vulneráveis, do doente, da pessoa que necessita de cura. Esta atitude de servir o humilde, o pobre, o carenciado e o doente é uma atitude própria de Deus”, salientou.
Na última parte da homilia, o patriarca de Lisboa centrou-se na dignidade da pessoa humana, recordando que toda a ação do enfermeiro encontra sentido no serviço ao outro.
Recorrendo ao pensamento do filósofo alemão Emmanuel Kant, D. Rui Valério recordou que “jamais o ser humano pode ser um meio para alcançar outros fins” e afirmou que a prática da enfermagem testemunha precisamente essa verdade”.
Meus amigos, verdadeiramente a vossa missão, a vossa vocação é profética e revolucionária, porque nos diz que aquela candeia que dentro de alguns instantes irá ser acesa é não só para vos iluminar a vós, mas para iluminar o mundo a partir dos valores da ética, dos princípios morais que vós abraçais, praticais e testemunhais”, enfatizou.
D. Rui Valério deixou também uma palavra de gratidão aos futuros enfermeiros, agradecendo-lhes pela disponibilidade.
“Sei que um dia a pessoa que lá está a necessitar da vossa corrida de casa até lá pode ser qualquer um de nós. Verdadeiramente, sinto-vos como meus irmãos no sacerdócio da abnegação, do serviço e da entrega”, referiu.
No final da celebração, a diretora da Escola de Enfermagem (Lisboa), Amélia Simões Figueiredo, agradeceu aos estudantes, docentes e famílias pelo caminho percorrido, realçando que os novos licenciados passam agora a ser “fiéis guardiões” dos ideais da Universidade Católica Portuguesa.
A responsável evidenciou que o compromisso profissional constitui “uma declaração pública” através da qual os futuros enfermeiros assumem os valores éticos e profissionais que orientarão o exercício da profissão.
“Vão comprometer-se perante Deus, perante a Igreja e perante esta assembleia a colocar todo o conhecimento adquirido, baseado na melhor evidência científica, ao serviço das pessoas, das famílias e das comunidades, mas com uma particular preocupação pelos mais vulneráveis e pelos enfermos”, mencionou.
Amélia Simões referiu-se aos três momentos simbólicos da cerimónia – entrega da luz, compromisso profissional e bênção das mãos -, ressaltando que exprimem a “identidade humanista da enfermagem” e a “missão de cuidar da pessoa na sua totalidade”.
Acompanhada do capelão da Universidade Católica Portuguesa, padre Miguel Vasconcelos, a diretora da Escola de Enfermagem de Lisboa ajudou depois cada finalista a acender a sua lamparina.
De acordo com o patriarcado de Lisboa, seguiu-se o ‘Juramento de Nightingale’, reconhecido desde o final do século XIX como um compromisso que continua a afirmar os valores do cuidado, da responsabilidade e da dedicação ao serviço da pessoa e da comunidade.
Após o momento, realizou-se a bênção das mãos pelo patriarca de Lisboa.
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