Cardeal-patriarca presidiu à Missa da solenidade do padroeiro da cidade, que «está no coração de todos os lisboetas»

Foto: Igreja de Santo António, Lisboa

Lisboa, 13 jun 2021 (Ecclesia) – O cardeal-patriarca de Lisboa disse hoje que a figura de Santo António, presente nos cinco continentes, desafia todos a viver como “sal” que conserva as relações humanas e sociais.

“Onde há alguém que viva no espírito de António e que viva o Evangelho como ele viveu, as coisas não se estragam”, referiu D. Manuel Clemente, na Missa a que presidiu na igreja de Santo António, junto à Sé de Lisboa, construída no local de nascimento do religioso português.

O responsável evocou a figura de um “santo de todo o mundo”, de “qualquer época e circunstância”, que desde o século XII “nunca mais saiu” do coração das pessoas e manteve a sua importância, ainda hoje, num mundo “vertiginoso”, em que os protagonismos se sucedem e atropelam.

A homilia destacou a “irradiação universal” de Santo António, um homem “realmente marcante, porque está no coração de todos os lisboetas”.

D. Manuel Clemente passou em revista os vários momentos da vida do religioso português, reconhecido como uma figura “forte” por todos os que o conheceram e que se transformou num “foco de atenção que nunca mais cessou”.

O patriarca de Lisboa sublinhou que “não eram fáceis as circunstâncias que António encontrou”, na vida da Igreja e da sociedade, na Itália e na França, onde foi pregador, aplicando “com muita precisão tudo o que o Evangelho de Cristo diz”.

Num ano sem festejos populares, tradicionalmente associados a esta data, o cardeal-patriarca disse que todos celebram este ano, com o “coração”, a vida e o ensinamento de Santo António de Lisboa, doutor da Igreja.

“Precisamos de aprender com quem sabe”, apontou, falando numa “enciclopédia viva”, que nunca se quis evidenciar e viveu “sempre com a maior humildade”.

“Os outros descobriram o valor que ali havia”, referiu.

A santidade “evidente” de António foi reconhecida, oficialmente, apenas um ano após a sua morte.

D. Manuel Clemente convidou os participantes na celebração a descobrir todos os que, ao longo da história e ainda hoje, são um sinal do “Evangelho vivo”, aqueles a que o Papa chama “os santos ao pé da porta”.

“Há, na nossa cidade de Lisboa – e tem-se manifestado tanto, durante esta pandemia, gente de boa vontade, de grande abnegação, de grande cuidado pelos outros, que são também figuração viva do Evangelho”, realçou o cardeal português.

“É o melhor que a cidade tem, porque é aquilo que o próprio Deus lhe oferece”, acrescentou.

A Missa da Solenidade de Santo António, padroeiro principal da cidade de Lisboa, teve transmissão televisiva e online, contando com a presença de autoridades autárquicas e representantes da sociedade civil.

No final da celebração, o patriarca de Lisboa abençoou a cidade com a relíquia de Santo António, à porta da igreja, onde dezenas de pessoas acompanharam a Eucaristia.

“Com ele, havemos de levar isto de vencida”, declarou D. Manuel Clemente.

Santo António nasceu em Lisboa, em 1195; entrou no mosteiro agostiniano de São Vicente, onde viveu durante dois anos antes de integrar a comunidade de Coimbra.

Em setembro de 1220, Fernando deixou os agostinianos para integrar a ordem dos franciscanos, onde assumiu o nome de António, pelo qual é hoje conhecido.

Na Itália, destacou-se como pregador e primeiro professor de Teologia da ordem franciscana recém nascida; faleceu em 1231 e foi sepultado em Pádua, tendo a sua fama de santidade levado o Papa Gregório IX a canonizá-lo, a 30 de maio de 1232.

Em 1946, Pio XII proclamou-o como “doutor da igreja universal”, com o título de ‘Doctor Evangelicus’ (Doutor Evangélico).

OC

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