Liberdade religiosa: É necessário «reconhecer que há ataques aos cristãos, assim como há a judeus e muçulmanos”, afirma Robert Royal

Palácio da Independência em Lisboa recebeu apresentação do livro “Os Mártires do Novo Milénio”, do escritor norte-americano

Foto Sociedade Histórica da Independência de Portugal

Lisboa, 10 abr 2026 (Ecclesia) – Robert Royal, autor do livro “Os Mártires do Novo Milénio”, participou, esta quinta-feira, em Lisboa, na apresentação da obra e defendeu que os governos devem ter um papel no combate à perseguição internacional aos cristãos.

“Já há muito tempo que existem comissões na União Europeia para estudar o antissemitismo e o anti-islamismo. Recentemente, alguns membros do Parlamento Europeu propuseram a criação de uma comissão para estudar os atos anti-cristãos. Acho que é muito importante seguir com isso e simplesmente reportar o que é verdade”, afirmou o escritor norte-americano.

Em declarações à Agência ECCLESIA e à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) no final da apresentação, Robert Royal considerou que “não se trata de dar aos cristãos um lugar especial, mas sim de reconhecer que há ataques aos cristãos, assim como há a judeus e muçulmanos”.

No Palácio da Independência, a apresentação da publicação foi feita por José Ribeiro e Castro, advogado e presidente da direção da Sociedade Histórica da Independência de Portugal e reuniu dezenas de pessoas.

O antigo político português sublinha que os deputados têm o dever de atuar perante a violência contra os cristãos.

O ministro dos Negócios Estrangeiros tem que falar em nome de Portugal e como defensor dos valores que estão a ser atacados e da liberdade religiosa no quadro da União Europeia. A União Europeia, o Conselho Europeu, e a Comissão Europeia têm que agir”, sustentou.

Foto Sociedade Histórica da Independência de Portugal

José Ribeiro e Castro lembra o número de três milhões de cristãos que terão sido perseguidos no século e as centenas de milhares de casos de perseguições.

“Acresceram-se novas causas, nomeadamente o terrorismo islâmico. O extremismo islâmico é um ator novo neste quadro. O século XX é sobretudo determinado por países autoritários e totalitários, embora também haja fontes de conflitos islâmicos”, refere.

O antigo deputado na Assembleia da República contesta o “silenciamento de comunidade cristãs na Europa” e o “acantonamento da religião no espaço privado, como se a liberdade religiosa fosse privada”.

“É importante que os cristãos organizados no movimento, nas paróquias, discutam e empreendam iniciativas. Hoje não podemos dizer que é por falta de informação que não conseguimos avançar. Hoje, há abundante informação”, disse.

O novo livro de Robert Royal é de certa forma, a continuação de um trabalho anterior, “Os Mártires Católicos do Séc. XX”, lançado por ocasião do Jubileu do ano 2000.

O autor espera que com a nova obra as pessoas, não só em Portugal, “mas em todo o mundo, tomem consciência de quão generalizada é a perseguição aos cristãos”.

Portugal é um país importante. Vocês têm falantes de português na América Latina, em África e em outros lugares. Seria bom se essa influência pudesse espalhar-se para que as pessoas tomassem consciência do que está a acontecer e tentassem fazer algo a respeito”, expressou.

Foto Sociedade Histórica da Independência de Portugal

Robert Royal recorda que quando realizou no livro anterior “eram maioritariamente os governos a produzir mártires” e que hoje há muito poucos assim.

“A China ainda é um exemplo. A Coreia do Norte é outro. Há alguns estados islâmicos que pressionam os cristãos. Mas existe também um anti-cristianismo ideológico no Islão”, referiu.

O autor enfatiza que “no Ocidente também há uma relutância em reconhecer que os cristãos estão a ser atacados, perseguidos e pressionados”.

Robert Royal indica a “faixa de África, entre a Nigéria e a República Democrática do Congo, o Sudão e a Líbia, aqueles países onde o ISIS e a Irmandade Muçulmana migraram do Médio Oriente”, como os que se tornaram centros de preocupação para quem professa a fé cristã.

Foto Sociedade Histórica da Independência de Portugal

Entre os presentes esteve também o editor Henrique Mota, responsável pela editora Lucerna, que descreve que publicar “este livro é um grito de alerta”.

“É contribuir, juntamente com aquilo que se passa noutros países, para a compreensão que o problema do martírio não é um problema do tempo do Império Romano, é um problema da atualidade”, indica.

O editor salienta que, “provavelmente, o século XX, sozinho, teve tantos mártires quanto os 19 séculos seguintes” e que esta publicação, que “se refere unicamente aos primeiros 25 anos deste século, traz um relato verdadeiramente preocupante daquilo que é o martírio”.

Henrique Mota destaca que é raro as notícias darem conta deste problema, mas os casos existem e existem “com uma frequência impensável em África, na América Latina, na Ásia e também na Europa”.

Na verdade, Portugal tende a ser uma situação, um oásis praticamente, mas isso não faz com que nós não precisemos de conhecer a realidade, de pensar sobre ela e de agir sobre ela”, alerta.

Para o editor, publicar este livro “não é divulgar mais uma obra literária, é divulgar um documento que faz um apelo e um desafio a que as pessoas possam conhecer a realidade e agir sobre a realidade”.

O advogado Ribeiro e Castro realça que “quando há uma pessoa perseguida, há duas violências que ela sofre”: “Uma é a violência que é cometida e outra é o silêncio”.

“O silêncio embaraçado. Portanto, o silêncio cúmplice, de facto, como disse. Portanto, é preciso levantar a voz, é preciso não ter medo, como o Papa João Paulo II nos chamou várias vezes, ‘não tenhais medo’”, lembrou

Para o antigo político português, estes livros servem não apenas para alimentar o “conhecimento diletante”, mas para alimentarem a ação de cada um, para por termo “a estas barbaridades, a estas atrocidades e injustiças que bradam aos céus”.

PR/LJ

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