Bispo de Viana do Castelo foi sepultado no Cemitério das Cortes, sua terra natal

Leiria, 23 set 2020 (Ecclesia) – O cardeal D. António Marto presidiu hoje na Catedral de Leiria à Missa exequial de D. Anacleto Oliveira, bispo de Viana do Castelo, prestando homenagem ao seu exemplo de “amizade e testemunho de fé”.

O presidente da celebração evocou o falecido bispo como exemplo da “pastoral da proximidade e do encontro”, elogiando p seu o “grande sentido pastoral”, de “pai e pastor como pede o Papa Francisco”, capaz de partilhar “as alegrias e tristezas do seu povo”.

“Um bispo em saída, imagem de uma igreja em saída, ao encontro de todos, particularmente dos mais frágeis, dos mais sós”, acrescentou D. António Marto.

O cardeal falou de um “querido irmão bispo” e convidou a fazer “memória agradecida” da sua entrega, a Deus e ao povo, com “espírito de sacrifício”.

A homilia saudou o “dom da amizade” de D. Anacleto Oliveira, recordado como alguém sempre “bem-disposto e disponível, sereno”, capaz de falar “ao coração” das pessoas e atento à sua situação, “procurando sempre lutar por uma sociedade mais justa e solidária”.

D. António Marto referiu-se ainda à formação do falecido bispo, natural do território da Diocese de Leiria-Fátima, que lhe permitiu ser “um grande, reconhecido e apreciado biblista”, um “apaixonado apóstolo da Palavra de Deus”.

Como membro da Conferência Episcopal, acrescentou, D. Anacleto Oliveira teve um “precioso contributo reconhecido por todos os bispos”, com intervenções “sempre oportunas e profundas”, além do “trabalho incansável” na elaboração de documentos e do contributo na canonização de São Bartolomeu dos Mártires, bispo do século XVI sepultado em Viana do Castelo, figura em quem se inspirou.

O cardeal começou por dizer que tinha estado com o falecido bispo, há pouco mais de um mês, concelebrando na Paróquia das Cortes, pelo seu 50.º aniversário de ordenação sacerdotal.

Que a partida de D. Anacleto não nos leva a esquecer a riqueza do dom que foi a sua presença, o seu trabalho e o seu testemunho entre nós. A Igreja em Portugal fica com uma dívida de gratidão a este seu bispo: esperamos honrar a sua memória, continuando o legado que nos deixou”.

Após a celebração, D. Anacleto Oliveira foi sepultado Cemitério das Cortes, sua terra natal.

O bispo de Viana do Castelo faleceu na última sexta-feira, aos 74 anos de idade, na sequência de um despiste de automóvel, na Autoestrada 2 (A2) perto de Almodôvar; era o único ocupante da viatura.

Esta terça-feira, a Diocese de Viana do Castelo despediu-se do seu bispo, evocando um “apaixonado pela Palavra” que foi capaz de ser “tudo para todos”.

“Quis ser missão numa proximidade muito concreta com todos”, referiu, D. Jorge Ortiga, que presidiu à celebração na catedral do Alto Minho.

O Papa enviou uma mensagem, lida no início da Eucaristia, referindo-se ao bispo de Viana do Castelo como “autêntica testemunha do Evangelho”.

D. Anacleto Oliveira nasceu a 17 de julho de 1946 e foi ordenado sacerdote a 15 de agosto de 1970; após a ordenação, estudou Sagrada Escritura em Roma e na Alemanha, onde foi capelão de uma comunidade portuguesa durante 10 anos.

Nomeado bispo para auxiliar de Lisboa em 2005, pelo Papa João Paulo II, a ordenação episcopal decorreu no Santuário de Fátima no dia 24 de abril desse ano, presidida por D. Serafim Ferreira e Silva, então bispo da Diocese de Leiria-Fátima.

No dia 11 de junho de 2010 D. Anacleto Oliveira foi nomeado por Bento XVI como bispo de Viana do Castelo, o quarto bispo da diocese do Alto Minho, criada pelo Papa Paulo VI em 1977.

Na Conferência Episcopal Portuguesa, o bispo de Viana do Castelo presidia à Comissão Episcopal Liturgia e Espiritualidade e à Comissão de Tradução da Bíblia.

OC

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