Parlamento Europeu destaca «defesa dos cristãos durante a invasão jihadista» no Iraque

Lisboa, 23 set 2020 (Ecclesia) – A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre saudou hoje a nomeação do arcebispo de Mossul, D. Najeeb Moussa Michaeel, para o Prémio Sahkarov 2020 pela defesa dos cristãos e pela salvaguarda de manuscritos históricos, durante a invasão jihadista  do Iraque.

“Quando o Estado Islâmico chegou a Mossul, em agosto de 2014, garantiu a evacuação de cristãos, sírios e caldeus para o Curdistão iraquiano e salvaguardou mais de 800 manuscritos históricos que datam do século XIII ao século XIX. Mais tarde, estes manuscritos foram digitalizados e expostos em França e na Itália”, lê-se na nota dos nomeados ao Prémio Sakharov 2020, divulgada pelo Parlamento.

Na informação enviada hoje à Agência ECCLESIA, o secretariado português da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) realça que D. Najeeb Moussa Michaeel teve “um papel determinante” na salvaguarda de 1300 “preciosos” manuscritos do século XIII ao século XIX, que são “um testemunho eloquente da cultura cristã no Iraque”, quando o líder do Daesh (autoproclamado Estado islâmico) proclamou o ‘Califado’ jihadista, a 29 de junho de 2014.

A fundação pontifícia destaca que para a comunidade cristã, “mesmo os que ainda não conseguiram regressar a casa”, a possível atribuição do Prémio Sahkarov – para a Liberdade de Pensamento ao arcebispo de Mossul “será muito relevante” por que “representa toda a comunidade” que foi expulsa das suas terras “por um dos mais sanguinários grupos terroristas de que há memória”.

A Comissão dos Assuntos Externos, a Comissão do Desenvolvimento e a Subcomissão dos Direitos Humanos vão apresentar oficialmente os candidatos ao prémio no próximo dia 28, depois a Conferência dos Presidentes – presidente do Parlamento Europeu e os dirigentes dos grupos políticos – anuncia o vencedor, a 22 de outubro; a cerimónia de entrega do Prémio Sakharov 2020, em Estrasburgo, está agendada para 16 de dezembro.

O Prémio Sakharov, para a Liberdade de Pensamento, foi criado pelo Parlamento Europeu, em 1988, e destaca personalidades ou organizações que se dedicam à defesa dos direitos humanos e das liberdades individuais.

Entre os vencedores deste prémio incluem-se o sul-africano Nelson Mandela;, as Mães da Praça de Maio de Buenos Aires, na Argentina; o dissidente cubano Guillermo Farinas; o cineasta iraniano Jafar Panahi;, Xanana Gusmão, de Timor-Leste; e, em 2019, Ilham Tohti, economista que luta pelos direitos da minoria uigure da China.

A Fundação AIS recorda que D. Najeeb Moussa Michaeel, como diretor do Centro Digital dos Manuscritos do Oriente, em Erbil, decidiu salvar os documentos, destacando que a comunidade cristã iraquiana é muito antiga e têm “muitas gramáticas e dicionários dos séc. XII e XIII, principalmente em aramaico, a língua de Jesus Cristo”.

CB/OC

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