Jubileu proporcionou banhos de multidão ao Papa

Cidade do Vaticano, 08 mai 2026 (Ecclesia) – O Jubileu dos Jovens e a aposta na Educação marcaram o primeiro ano de pontificado do Papa Leão XIV, que se assinala hoje, mobilizando centenas de milhares de peregrinos em Roma.
O Ano Santo da Esperança promoveu o primeiro grande encontro global do atual pontífice com a juventude católica, dois anos após a Jornada Mundial da Juventude de Lisboa.
Na Missa de boas-vindas do Jubileu dos Jovens, o Papa exortou as novas gerações a tornarem-se promotoras de paz.
“Desejamos que todos vocês sejam sempre sinais de esperança no mundo! Começamos hoje. Nos próximos dias, terão a oportunidade de ser uma força que pode levar a graça de Deus, uma mensagem de esperança, uma luz à cidade de Roma, a Itália e ao mundo inteiro. Caminhemos juntos com a nossa fé em Jesus Cristo. E o nosso clamor deve ser também pela paz mundial. Digamos todos: ‘Queremos a paz no mundo!’. ‘Queremos a paz no mundo!’. Rezemos pela paz”, declarou Leão XIV.
A vigília em Tor Vergata, 25 anos após a histórica JMJ de 2000, reuniu milhares de jovens num ambiente de oração.
Queridos jovens, Jesus é o amigo que sempre nos acompanha durante a formação da nossa consciência. Se quereis realmente encontrar o Senhor Ressuscitado, escutai a sua palavra, que é o Evangelho da salvação. Refleti sobre o vosso modo de viver e procurai a justiça para construir um mundo mais humano. Servi os pobres e dai assim testemunho do bem que sempre gostamos de receber do nosso próximo.”
Na Missa conclusiva do Jubileu dos Jovens, o Papa criticou o consumismo e apelou à solidariedade.
“A plenitude da nossa existência não depende do que acumulamos nem do que possuímos, como ouvimos no Evangelho. Em vez disso, está ligada ao que sabemos acolher e partilhar com alegria. Comprar, acumular, consumir não basta”, sublinhou.
Este Jubileu acolheu ainda um encontro inédito com missionários digitais e influenciadores católicos de mais de 56 países, incluindo Portugal.
“Jesus chamou os seus primeiros apóstolos quando eles estavam a consertar as suas redes de pescadores. Ele pede-nos também a nós, aliás pede-nos hoje, que construamos outras redes: redes de relações, redes de amor, redes de intercâmbio gratuito, nas quais a amizade seja autêntica e seja profunda”, pediu.
Leão XIV reforçou simbolicamente a atenção à juventude com a canonização de dois jovens.
“Declaramos e definimos como santos os beatos Pedro Jorge Frassati e Carlos Acutis, inscrevemo-los no Álbum dos Santos e estabelecemos que em toda a Igreja eles sejam devotamente honrados entre os Santos”, declarou, na Praça de São Pedro.
O mundo educativo mereceu igualmente destaque no calendário jubilar, atraindo milhares de alunos e professores ao Vaticano, perante os quais o Papa identificou desafios na era digital, apelando ao encontro interpessoal.
“A verdade não circula através de sons, muros e corredores, mas no encontro profundo entre as pessoas, sem o qual qualquer proposta educativa está destinada ao fracasso. Vivemos num mundo dominado por ecrãs e filtros tecnológicos muitas vezes superficiais, no qual os alunos precisam de ajuda para entrar em contato com a sua interioridade”, assinalou.
O encerramento do Jubileu do Mundo Educativo coincidiu com a proclamação do cardeal Newman como doutor da Igreja.
“Nesta solene ocasião, desejo repetir aos educadores e às instituições educativas: Brilhai hoje como astros no mundo, graças à autenticidade do vosso empenho na busca conjunta da verdade, na sua partilha coerente e generosa, através do serviço aos jovens, em particular aos pobres, e na experiência quotidiana de que o amor cristão é profético, realiza milagres”, sublinhou o pontífice, na Missa de Todos os Santos.
Leão XIV assinou ainda a carta apostólica ‘Desenhar novos mapas de esperança’’, que assinala o 60.º aniversário da declaração ‘Gravissimum Educationis’, do Concílio Vaticano II, sobre a educação.
“As tecnologias devem servir a pessoa, não substituí-la; devem enriquecer o processo de aprendizagem, não empobrecer as relações e as comunidades. Uma universidade e uma escola católica sem visão correm o risco de cair no eficientismo sem alma, na padronização do conhecimento, que se transforma em empobrecimento espiritual”, escreveu.
Já o Jubileu dos Catequistas mobilizou cerca de 20 mil peregrinos de 115 países, com destaque para a participação de 800 portugueses.
“Que nunca vos falte nem coragem nem dedicação no anúncio da boa nova de Jesus, em particular às crianças, para que elas cresçam intuindo que Deus as ama e tem para elas grandes sonhos”, disse Leão XIV, na sua saudação.
OC
