Papa deixou vários apelos à implementação de limites éticos ao desenvolvimento tecnológico e à exploração de recursos

Cidade do Vaticano, 08 mai 2026 (Ecclesia) – O Papa assumiu a urgência climática e a exigência de limites éticos para a inteligência artificial (IA) como grandes prioridades no balanço do seu primeiro ano de pontificado, assinalado hoje.
“Deus perguntar-nos-á se cultivamos e cuidamos do mundo que Ele criou, para o bem de todos e das gerações futuras”, questionou Leão XIV, durante a conferência internacional ‘Raising Hope for Climate Justice’, em outubro de 2025.
A agenda ecológica ficou marcada pelos apelos dirigidos à cimeira climática COP30, no Brasil, e pela inauguração do ‘Borgo Laudato Si’ em Castel Gandolfo, onde jovens portugueses plantaram simbolicamente um sobreiro.
“Se quiser cultivar a paz, cuide da criação”, apelou o Papa aos líderes mundiais, sublinhando que as alterações climáticas atingem primeiro os mais vulneráveis.
O compromisso da Igreja Católica com o meio ambiente estendeu-se às famílias, através da publicação de um novo documento do Vaticano dedicado à salvaguarda da “Casa Comum”.
“Não podemos amar Deus, a quem não vemos, enquanto desprezamos as suas criaturas”, advertiu Leão XIV.
A par da crise ambiental, a revolução tecnológica e os perigos do paradigma tecnocrático dominaram o pensamento do primeiro pontífice norte-americano ao longo destes doze meses.
“O ‘Deus vivo’ pode ser substituído por um ‘Deus virtual’ com a pretensão de ‘salvar’ a humanidade com base em atuações tecnológicas”, alertou o documento ‘Quo vadis, humanitas?’, da Comissão Teológica Internacional.
O Papa centrou a sua mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais 2026 (17 de maio) na necessidade de defender a identidade humana perante o avanço dos algoritmos e das notícias falsas.
“O desafio, portanto, não é tecnológico, mas antropológico. Proteger os rostos e as vozes significa, em última análise, proteger-nos a nós mesmos”, defendeu.
O pontífice manifestou ainda profunda preocupação com a corrida ao armamento autónomo e com a exclusão social provocada por um progresso sem ética.
“As próprias novas tecnologias surgem concebidas e utilizadas principalmente para fins bélicos e em contextos que não deixam vislumbrar um aumento de oportunidades para todos”, lamentou o Papa, durante a recente visita à Guiné Equatorial.
Numa das suas primeiras entrevistas biográficas, o Papa revelou mesmo ter rejeitado a criação de uma versão digital de si próprio para interagir de forma automatizada com os fiéis.
“Se há alguém que não deveria ser representado por um avatar, na minha opinião, é o Papa”, justificou.
Leão XIV avisou que a automação desenfreada ameaça a dignidade do trabalho e corre o risco de criar um cenário global de pobreza e descarte.
“Se automatizarmos o mundo inteiro e apenas algumas pessoas tiverem meios não só para sobreviver, mas para viver bem, para ter uma vida significativa, há um grande problema”, advertiu o pontífice.
OC
