Especialista comenta quinto aniversário de encíclica que considera chave para ganhar «guerra pelo futuro»

Foto: Lusa/EPA

Lisboa, 22 mai 2022 (Ecclesia) – O filósofo e ambientalista Viriato Soromenho Marques considera que o mundo deve ouvir os apelos do Papa na Encíclica ‘Laudato Si’, publicada há cinco anos, para evitar uma “catástrofe climática”.

“Se não mudarmos a forma como organizamos a nossa economia, estaremos a passar de uma pandemia, que é grave, para uma situação de calamidade e catástrofe climática, que será muito pior”, refere o convidado da entrevista conjunta Renascença/Ecclesia, publicada e emitida a cada sexta-feira.

O especialista sublinha os alertas de Francisco, condensados na expressão “esta economia mata”.

“É uma simples fotografia de uma economia que transforma complexidade em simplificação; que transforma uma atmosfera saudável numa atmosfera que está a alterar o clima”, indica.

Para o professor universitário, é do “interesse de todos e de cada um” que a saída da pandemia seja uma saída que incentive a resposta à crise ambiental e climática.

O que está em causa é, no fundo, a própria imagem de nós mesmos como seres humanos. Ou seja, será que nós estamos condenados a ter de optar entre sobreviver, no dia a dia, à custa da injustiça sobre o futuro e sobre as gerações futuras?”.

Viriato Soromenho Marques fala numa “guerra pelo futuro” e não poupa críticas ao atual modelo económico.

“Será que é mais importante alimentarmos uma elite de super ricos, que tem uma vida numa riqueza absolutamente – não encontro outra palavra – pornográfica, obscena?”, questiona.

O especialista considera que a encíclica ‘Laudato Si’ se carateriza por um impacto crescente, gerando atenção sobre questões que dizem respeito a toda a humanidade.

Quanto ao impacto da pandemia, realça que a mesma resulta da forma “intrusiva” como os seres humanos atuam sobre a biodiversidade e espera que este tempo seja “uma lição de humildade e, ao mesmo tempo de força”.

“O que está mal aqui é a forma como nós estamos a habitar a terra. Nós estamos a habitar a terra como se ela nos pertencesse. Mais, nós habitamos a terra como não habitamos as nossas casas: que eu saiba, nas nossas casas, não partimos as portas, destruímos a mobília, deixamos os resíduos ficar nos sítios onde dormimos ou onde comemos”, adverte.

O entrevistado diz ainda que confinamento é uma “forma de ação”, com resultados positivos para as pessoas e a natureza.

Henrique Cunha (Renascença) e Octávio Carmo (Ecclesia)

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