Bono Vox, vocalista da banda de rock U2, e o jogador brasileiro Ronaldinho entre os participantes no lançamento do Movimento Educativo Internacional «Scholas Occurrentes»

Foto: Vatican Media

Cidade do Vaticano, 19 mai 2022 (Ecclesia) – O Papa Francisco disse hoje que “falta poesia e coragem” para que a ‘Laudato Si’ tenha “vigor real” e confiou aos jovens que participam nos projetos ‘Scholas Occurrentes’ essa responsabilidade durante uma iniciativa do movimento internacional realizada em Roma.

“Para que a ‘Laudato’ tenha vigor real falta poesia e coragem. E a poesia e a coragem não se aprende nos livros, aprende-se com o risco (irrigação), com a contemplação da natureza, e com a luta”, explicou Francisco, em resposta à jovem Irene, que perguntou porque é que escolheu ‘Scholas Occurrentes’ para levar a ‘Laudato Si’ ao mundo.

O Papa acrescentou que “a mulher tem a vocação de dar vida e as Scholas organizadas têm a mesma vocação, é sobre sobrevivência”, regressando à reflexão sobre as mulheres que surgiu numa pergunta do vocalista dos U2.

“Defender a natureza é defender a poesia da criação, é defender a harmonia. É uma luta pela harmonia. E as mulheres sabem mais de harmonia do que os homens. E ‘Scholas’ assim organizadas, com essa fraternidade entre vocês, tem essa capacidade de criar poesia e de mudar”, desenvolveu, recordando o verso de uma música de Roberto Carlos – ‘Mamã, porque é que o rio já não canta mais?’.

“Agora têm as vossas mãos, que não seja demasiado tarde”, afirmou o Papa, na Aula Magna da Universidade Urbaniana.

Participaram no encontro de lançamento do movimento educativo internacional ‘Scholas Occurrentes’, com novo estatuto canónico, cerca de 50 estudantes de diversos países – Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, Haiti, Itália, México, Panamá, Paraguai – onde se contam quatro de Portugal.

Durante um ano, os jovens vão desenvolver projetos de impacto socioambiental nas suas comunidades, no âmbito da Escola ‘Laudato Si’.

Os jovens apresentaram ao Papa uma música, que prepararam ao longo da semana, no início do encontro, e partilharam algumas frases, com preocupações sociais, “o grito das suas dores”, como os problemas com o acesso à água, “a fome, a guerra, a dor, a morte”.

“A indiferença me sufoca mas consigo respirar. Eu tenho força, posso mudar no futuro; Os jovens do mundo pedem que pare a pior guerra de todos: A apatia”, ouviu-se no encontro transmitido online.

No encontro desta tarde participaram diversos convidados, do mundo da arte, como o vocalista da banda de rock U2, Bono Vox, um apoiante deste projeto educativo que também foi professor na ‘Escola Laudato Si’, do desporto e da tecnologia, para além de representantes políticos, de empresas, organizações e da sociedade civil de vários países onde ‘Scholas Occurrentes’ desenvolvem as suas atividades.

Bono Vox destacou que a “cultura do encontro”, característica das Scholas, “é uma frase poderosa para o mundo”, e salientou a importância da educação das mulheres como “um superpoder no combate à extrema pobreza”, tendo perguntado ao Papa se esse “superpoder” também pode ser usado no cuidado com o meio ambiente.

Francisco indicou que na sociedade a tendência é “a falar sobre a mãe terra, não sobre o pai terra” e observou que as mulheres têm o dom natural de mudar as coisas, brincando que “desde aquela tarde da maçã, elas estão no comando”.

Durante este evento foi também anunciado um jogo de futebol pela paz, o ‘10/10 – We play for peace’, que também vai homenagear Maradona, no dia 10 de outubro, no Estado Olímpico de Roma.

Os jogadores brasileiros Dani Alves e Ronaldinho entregaram ao Papa uma camisola com o número 10, e Francisco benzeu e assinou uma bola que vai ser usada no jogo, depois de assistir a um vídeo promocional que conta com a participação de Messi (Argentina), Buffon (Itália), Rakitic (Croácia), e do treinador português José Mourinho.

Esta terça-feira, 17 de maio, Francisco publicou um decreto onde anunciou a decisão de fazer da fundação pontifícia ‘Scholas Occurrentes’ uma Associação Privada de Fiéis de caráter internacional, de acordo com o Direito Canónico.

“Tendo em conta que a Fundação Pontifícia Scholas Occurrentes continua hoje a expandir a sua ação caritativa e a estruturar-se como comunidade de comunidades e movimento educativo internacional, requer uma nova forma jurídica de acordo com esta realidade”, lê-se no documento, enviado à Agência ECCLESIA pela Santa Sé.

O projeto ‘Scholas’ nasceu dos programas “Escola de Vizinhos” e “Escolas Irmãs” desenvolvidos na cidade de Buenos Aires por iniciativa do então arcebispo local, D. Jorge Mario Bergoglio, o atual Papa.

OC/CB/PR

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