Coordenador Nacional das Capelanias Hospitalares indica necessidade de assistência espiritual em todos os serviços para «tratamento de qualidade» dos pacientes

Lisboa, 19 mai 2022 (Ecclesia) – A Igreja católica precisa fazer uma “revolução” na assistência espiritual aos pacientes em ambiente hospitalar, prestando “qualidade” e o acompanhamento necessário que os pacientes, em qualquer serviço, necessitam.

“Não é um capelão num enorme hospital que consegue dar uma resposta adequada às pessoas. O trabalho do capelão não é centrado na santa unção, mas deve ser centrado no acompanhamento do doente, mesmo aos que não têm religião, porque podem fazer um processo espiritual. A escuta empática pode ser feita por um leigo que se prepara e é formado para o efeito”, afirmou hoje à Agência o padre Fernando Sampaio, Coordenador Nacional das Capelanias Hospitalares.

O responsável indicou a necessidade de “tempo, condições, disponibilidade mental e emocional” para o poder fazer e indicou os “escasso clero que a Igreja tem”.

“É importante que a Igreja faça esta revolução. A Igreja não tem padres, tem pouco clero e necessita deles noutras funções: é preciso fazer esta revolução com os leigos para uma assistência de qualidade nos hospitais. E esta revolução dará um salto qualitativo e relevante na assistência espiritual”, sublinhou.

O Serviço Religioso e Espiritual do CHULN (Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte) em colaboração com o Centro de Medicina Paliativa da FMUL (Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa) e da Unidade de Cuidados Paliativos do CHULN, organizaram uma conferência sobre «Saúde e sofrimento espiritual refratário em fim de vida».

O padre Fernando Sampaio deu conta da “oportunidade” de os profissionais de saúde escutarem Angeles Lopez Torrida, médica especialista em Medicina Familiar e comunitária com 20 anos de experiência e que trabalha há 12 anos em Cuidados Paliativos.

“A Dra Angelies quis enfatizar a importância da espiritualidade no bem-estar dos doentes. Se olhamos a saúde na sua dimensão física, psicológica, social e espiritual, vemos que a saúde vista apenas na dimensão física deixa de parte uma dimensão importante das pessoas, e essa dimensão revela-se fonte de muito sofrimento, em especial de sofrimento terminal”, destacou.

O responsável lamenta ainda que apesar de “muita literatura” sobre a importância do acompanhamento no tratamento holístico dos pacientes, Portugal “pense na saúde apenas como saúde física e segundo um modelo bio mecanicista”.

“Fala-se na saúde no sentido global, mas na realidade não é de grande aplicabilidade”, lamenta.

O padre Fernando Sampaio reconhece que a assistência espiritual é valorizada “nos cuidados paliativos”, mas afirma ser algo marginal em outros campos do cuidado terapêutico, e exemplifica que seria benéfico ter esse tratamento também no serviço de urgência.

O Coordenador Nacional das Capelanias Hospitalares indica que a Igreja deve querer fazer “uma revolução” para que o trabalho de assistência espiritual chegue a todos e com, qualidade, de forma a tornar a “assistência relevante nos cuidados que se prestam no hospital”.

LS

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