D. António Couto disse que este é um mês que «não se pode desperdiçar»

Lamego, 02 jul 2022 (Ecclesia) – A Diocese de Lamego celebrou hoje a receção oficial dos Símbolos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) em São Domingos, Fontelo – Armamar, dando assim início à nona etapa da peregrinação da Cruz e Ícone mariano pelo território português.

“Há uma vitalidade juvenil intensa nesta diocese”, referiu D. António Couto, bispo local, em declarações à Agência ECCLESIA.

O bispo de Lamego espera que a peregrinação dos símbolos possa marcar os participantes “pela vida fora”, apesar de a diocese viver com a certeza de que “amanhã ou depois, eles têm de se ir embora”.

“Eles não têm culpa, mas é uma pena não podemos continuar com eles mais uns anos e revitalizar a Igreja”, acrescentou.

D. António Couto falou aos presentes de um mês que não se pode “desperdiçar”, para ir ao encontro “não apenas dos jovens, mas de todas as paróquias, todas as pessoas da diocese”, para que “sintam bem o momento que estão a viver”.

“Tenho a certeza de que, quando chegar o dia 31, teremos subido um pouco a nossa forma de viver”, indicou.

O responsável apontou à JMJ de Lisboa 2023 e ao impacto que estas iniciativas podem ter.

“O essencial, aquilo que fica, passa-se dentro”, disse.

Para o bispo de Lamego, esta é uma dinâmica que “não pode acabar”, tal como acontece com o processo sinodal lançado pelo Papa.

D. António Couto carregou, ele próprio, a Cruz peregrina, entregue por São João Paulo II aos jovens de todo mundo, e confessou a emoção do momento, com um peso que “faz pensar em muitas coisas de essencial”.

“É sentir, nos meus ombros, a cruz de Jesus”, explicou.

Foto: JMJ 2023

O responsável assumiu a importância de apresentar à diocese um símbolo que já atravessou “muitos países, muitas situações, muitos caminhos, muitas igrejas, muita gente”.

“É uma comunhão muito intensa com os irmãos do mundo interior”, assumiu.

Num dia de festa, com a Jornada Diocesana da Juventude e o Dia da Família Diocesana, o bispo de Lamego observou que a desertificação do Interior faz com que algumas dinâmicas pastorais se percam, um sentimento comum à sociedade civil.

“Perdemos mãos, mas se houvesse outras estruturas, nomeadamente em termos de saúde e de educação, culturais, este mundo poderia ser muito melhor”, lamentou.

O responsável católico recordou que muitos destes jovens estudam fora do território diocesano, mas não deixam de participar nas várias atividades.

A Cruz da Jornada Mundial da Juventude e o Ícone de Nossa Senhora percorrem as dioceses de Portugal até julho de 2023.

A Cruz da JMJ foi entregue pelo Papa João Paulo II aos jovens em abril de 1984 e marcou o início de uma peregrinação da juventude de todo o mundo; em 2000, o mesmo pontífice confiou aos jovens uma cópia do Ícone de Nossa Senhora ‘Maria Salus Populi Romani’.

A cruz de madeira mede 380 cm de altura e pesa 31 kg; os braços medem 175 cm de largura e os painéis em madeira medem 25 cm de largura.

O Ícone de Maria mede 118 cm de altura, tem 79 cm de largura e 5 cm de profundidade, pesando 15 Kg.

A JMJ nasceu por iniciativa do Papa João Paulo II, após o sucesso do encontro promovido em 1985, em Roma, no Ano Internacional da Juventude.

As edições internacionais destas jornadas promovidas pela Igreja Católica são um acontecimento religioso e cultural que reúne centenas de milhares de jovens de todo o mundo, durante cerca de uma semana.

A primeira edição aconteceu em 1986, em Roma, e desde então a JMJ já passou pelas seguintes cidades: Buenos Aires (1987), Santiago de Compostela (1989), Czestochowa (1991), Denver (1993), Manila (1995), Paris (1997), Roma (2000), Toronto (2002), Colónia (2005), Sidney (2008), Madrid (2011), Rio de Janeiro (2013), Cracóvia (2016) e Panamá (2019).

LFS/OC

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