Especialista pediu que Escolas Católicas tenham maior união para mudança de paradigma

Foto: Educris

Fátima, 02 jul 2022 (Ecclesia) – O professor universitário Joaquim Azevedo disse esta sexta-feira em Fátima que as Escolas Católicas devem estar unidas e centradas na sua missão, para promover uma mudança de paradigma na educação.

“É muito difícil mudar a escola. Mesmo muito complicado. O modelo moderno de educação escolar tem mais de 200 anos. Os princípios, a estruturação, o programa institucional é o mesmo. O problema é que não temos alternativa a este modelo e ele só cairá quando tivermos um outro que o confronte. Este modelo vai continuar, mesmo que em marcha atrás, até ao próximo século”, lamentou, no final da V Jornada Pedagógica organizada pela Associação Portuguesa de Escolas Católicas (APEC).

O antigo secretário de Estado da Educação afirmou que “hoje as escolas estão sós”.

“As plataformas digitais criaram um isolamento maior em relação à tutela e isso trouxe mais isolamento. Se juntarmos a isto uma classe, a dos professores, que estão cansados e desiludidos, percebemos que os tempos que aí vêm não vão ser fáceis”, desenvolveu, numa intervenção citada pelo portal ‘Educris’, do Secretariado Nacional da Educação Cristã.

Joaquim Azevedo alertou para “experimentalismos estéreis” e para “um sistema que tudo absorve”.

“O sistema absorve qualquer experimentalismo e ainda se ri! O mais fácil é desistir, e é isso que acontece com a maior parte dos projetos. Se tivermos dúvidas disto vejamos a questão da autonomia curricular”, precisou.

“Temos de trabalhar numa escola com cada um e com cada uma. Não acredito em princípios universalistas e pouco realistas. Se queremos um aluno com determinadas características precisamos de acreditar num outro horizonte. Sem isto fica tudo inconsistente e incoerente. As escolas católicas tem um contributo incrível a dar ao mundo de hoje”, concluiu.

Em declarações à Agência ECCLESIA, o especialista destacou que todos devem “trabalhar juntos”, perante as “alterações muito profundas e complexas” que as escolas enfrentam.

“Temos de ser capazes de pensar os projetos e as dinâmicas de melhoria da Educação tendo em conta que há constrangimentos estruturais muito claros”, precisou.

Joaquim Azevedo advertiu para a dificuldade de promover uma “formação integral” das pessoas, considerando que muitas vezes se perde o “foco”, dando demasiada atenção a assuntos que “não são essenciais”.

“A Escola Católica tem uma mensagem importante, para o mundo de hoje, mas sente alguma dificuldade para a dar, porque se distrai com muitas coisas”, advertiu.

A V Jornada Pedagógica da Escola Católica reuniu, em Fátima, mais de duas centenas e meia de professores sob tema ‘Uma Avaliação Pedagógica ao Serviço do Desenvolvimento Humano’, numa parceria com a Faculdade de Educação e Psicologia (FEP), da Universidade Católica Portuguesa – polo do Porto, e a colaboração do Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC).

LFS/OC

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