Padre Diamantino Alvaíde publicou trabalho final de doutoramento com uma proposta de «pastoral integrada»

Lamego, 08 set 2021 (Ecclesia) – O coordenador da pastoral de Lamego disse à Agência ECCLESIA que é necessário fazer uma “viragem pastoral” na diocese que acompanhe a mudança social nas aldeias, antes organizadas em torno da escola e hoje de lares de terceira idade.

“As escolas eram o centro das aldeias, hoje são os lares da terceira idade e as instituições direcionadas para os idosos”, afirmou o padre Diamantino Alvaíde, que propõe uma “pastoral integrada” para o território diocesano.

No livro “A presença de Deus nos caminhos dos homens –  Uma proposta de Pastoral Integrada”, o padre Diamantino Alvaíde publica a investigação que realizou para o doutoramento, concluído na Pontifícia Universidade Lateranense, em Roma, e analisa “o envelhecimento da população como desafio à renovação da pastoral diocesana de Lamego”.

A Diocese de Lamego, com 233 paróquias, chegou a ter 300 escolas e hoje tem 30; já os lares passaram de 30 para uma centena.

“Muitas das instituições para a terceira idade estão instaladas nos edifícios que outrora foram as escolas primárias”, afirmou.

Para o padre Diamantino Alvaíde, a pastoral na Diocese de Lamego não pode ser pensada por setores – infância, adolescência, família ou idosos – mas é necessário desenvolver uma “pastoral integrada”, capaz de “olhar o conjunto”, abandonando a ideia da “compartimentação da pastoral”

“Na realidade em que nos encontramos, e mesmo em todas as realidades, sejam do interior ou litoral, a pastoral integrada tem cabimento”, garante o coordenador da Pastoral em Lamego, referindo que é necessário “abandonar a lógica dos setores para dar lugar à visão de conjunto”

Em entrevista à Agência ECCLESIA, o padre Diamantino Alvaíde recorda o “gosto” pela pastoral desde que entrou no Seminário de Lamego, quando tinha 19 anos, e, durante o curso superior, as disciplinas relacionadas com a pastoral aliciavam “sempre bastante”, tema que escolheu para o doutoramento.

O sacerdote de Lamego afirma o “interesse pela realidade diocesana”, num território que “toca o extremo leste e o extremo oeste do país” e com “uma transformação social constante”, onde se vê a gente “envelhecer e desaparecer”.

O padre Diamantino Alvaíde recorda que, desde o início deste século, a diocese tem perdido uma média de 1200 pessoas por ano, sofrendo as consequências da “desertificação acelerada do interior”: de acordo com os recenseamentos da população, em 2001 habitavam no território da Diocese de Lamego 146 mil pessoas, em 2011 136 mil e, de acordo com os dados já divulgados pelo censos de 2021, a diocese tem 119 382 habitantes.

“É com esta gente que nos temos de trabalhar. É esta gente que nos desafia a levar o evangelho e a transformar a sua vida social e comunitária a partir da vida eclesial”, afirmou.

O coordenador da pastoral na Diocese de Lamego refere que a  “viragem pastoral” está em curso e acontece também a partir de “pistas de ação” que propõe e que passam pela valorização da religiosidade popular, a centralidade dos centros sociais paroquiais e a reorganização territorial das comunidades.

A nível social e económico, padre Diamantino Alvaíde considera o envelhecimento e o despovoamento “angustiante e bastante problemático”; “interpelante e desafiador” é como olha a mesma realidade a nível pastoral.

A entrevista do padre Diamantino Alvaíde vai ser emitida no programa Ecclesia (RTP2) esta quarta-feira, 8 de setembro, dia da festa de Nossa Senhora dos Remédios, padroeira principal da cidade de Lamego.

PR

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