João Paulo Rebelo destaca dinâmicas de associativismo e voluntariado como «escola de formação de líderes»

Lisboa, 25 jan 2019 (Ecclesia) – O secretário de Estado da Juventude e do Desporto enalteceu o papel que a Igreja Católica e o Papa Francisco têm desempenhado no apelo à participação política dos jovens.

“A Igreja Católica, e o Papa Francisco em particular, têm colocado um acento tónico na importância de participação da juventude, inclusivamente, da participação política”, afirmou João Paulo Rebelo, em entrevista à Agência ECCLESIA.

O papel do associativismo juvenil foi sublinhado pelo governante, enquanto “escola de formadores e de líderes”, lembrando a importância, por exemplo, do Corpo Nacional de Escutas (CNE), “maior associação juvenil do país”.

“É um trabalho extraordinário, sou testemunha disso. Tenho estado nalguns momentos que se tornam muito gratificantes para mim porque me dão conhecimentos e experiência que não tinha”, assinala o secretário de Estado, a respeito do contacto que mantém com o CNE, no exercício das suas funções.

De norte ao sul do país é extraordinário o trabalho que os jovens realizam, e muitas vezes com parcos recursos. Quotidianamente preocupo-me em apoiar, cumprindo a lei do associativismo, mas incentivando, pela escola de formadores e de líderes que as associações representam para os jovens”.

As preocupações juvenis estão patentes no Plano Nacional para a Juventude, que a Secretaria de Estado fez aprovar em Conselho de Ministros, em 2018, e vai estar a ser implementado até 2021.

Mais de 70 medidas resultam de “milhares de respostas de jovens”, obtidas por inquérito e focus grupos, com o objetivo de “auscultar as necessidades dos jovens”.

Emprego e precariedade laboral, educação, habitação foram algumas das preocupações apresentadas.

Foto: CNE

João Paulo Rebelo saúda o facto de este ser “o primeiro plano nacional aprovado para a juventude” garantindo, “enquanto instrumento político, que qualquer área sectorial do governo tem de colocar os jovens como preocupação central quando desenham as suas políticas”.

O secretário de Estado indica a “transversalidade das políticas da juventude”, e lamenta que, “erradamente”, se coloquem “as políticas da juventude numa gaveta”.

“O presidente do Conselho Nacional de Juventude afirma muitas vezes que «os jovens dispensam políticos com boas ideias para os jovens porque eles têm boas ideias para si próprios». Não podemos dispensar os jovens e a sua energia; há que os sentar à mesa e envolvê-los”, observou.

Admitindo distância entre os jovens e as instituições, João Paulo Rebelo dá conta da “preocupação central” em que os jovens participem “civicamente e politicamente, no que é a gestão da sociedade”.

“À partida, ninguém se envolve no que não conhece, se sentir que a sua opinião não altera, não conta, não há interesse em participar. Nós envolveremos os jovens se eles se sentirem parte”, traduz.

João Paulo Rebelo afirma ainda que cada vez mais as competências não formais, desenvolvidas em ações de voluntariado, são reconhecidas pelas entidades empregadoras: “É a indicação que recebo do secretário de Estado do Emprego e recentemente estive num debate com diversas empresas de recursos humanos e isso foi, claramente, dito por todos”.

A entrevista ao secretário de Estado pode ser acompanhada este domingo, dia final da Jornada Mundial da Juventude 2019, no programa Ecclesia, na Antena 1 da rádio pública, pelas 06h00.

LS/OC

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