Padre João Chagas sublinha necessidade de permitir que novas gerações sejam protagonistas, nas comunidades católicas

Foto: Ricardo Perna

Cidade do Vaticano, 20 nov 2022 (Ecclesia) – O padre João Chagas, responsável pelo setor da Juventude no Dicastério para os Leigos, Família e Vida, da Santa Sé, considera que a próxima Jornada Mundial da Juventude (JMJ) vai ser um momento “muito significativo”, para os jovens e a Igreja.

“Eu acredito que o Papa estará em Lisboa, mas ele diz ‘Pedro estará’. Francisco, esperamos, atrairá muitos jovens e este encontro será muito significativo para os jovens e depois dele, outros também, que virão no futuro”, refere o convidado da entrevista semanal conjunta Ecclesia/Renascença, emitida e publicada aos domingos.

A XXXVII Jornada Mundial da Juventude celebra-se hoje, nas dioceses católicas, por ocasião da solenidade litúrgica de Cristo-Rei, e, a nível internacional, em Lisboa de 1 a 6 de agosto de 2023 – após ter sido adiada, por um ano, devido à pandemia de Covid-19.

A celebração diocesana é vista pelo padre João Chagas como “uma oportunidade” de relançar o dinamismo junto das novas gerações e permitir que “a Igreja toda se volte para os jovens”.

O colaborador do Papa destaca a liderança juvenil em áreas como a plataforma ‘Laudato Si’, a Economia de Francisco, o âmbito do diálogo ecuménico e diálogo inter-religioso, bem como em vários organismos da Santa Sé, em que são consultados.

“Quanto mais espaço dermos aos jovens, melhor”, defende.

Questionado sobre o impacto da pandemia e da guerra na Ucrânia na JMJ Lisboa 2023, o sacerdote brasileiro diz esperar que “os tempos mais difíceis já tenham passado e os jovens ajudem a humanidade a reerguer-se”.

“Não podemos nunca subestimar a capacidade dos jovens de se mobilizar e superar os desafios, mesmo económicos”, indica.

Esperamos que, na Jornada de Lisboa, se inicie uma pandemia ao contrário, virtuosa, bela, que daí se contagiem os jovens de Portugal e do mundo inteiro com a alegria nova de ser cristãos e comunicar isso aos outros”.

Assumindo o objetivo de que “ninguém fique para trás”, o padre João Chagas recorda que cada jovem que se inscreve “é convidado a dar uma pequena contribuição, por volta de 10 euros, pode ser menos, pode ser mais, para ajudar os jovens dos países mais pobres a participar no evento”.

“A ideia é trazer um grupo representativo de cada país, de modo que, quando eles voltarem, possam ser também multiplicadores dessa experiência”, acrescenta.

Relativamente ao trabalho com os responsáveis de Portugal, o responsável do Dicastério para os Leigos, Família e Vida fala de um “crescimento na comunhão, na colaboração fraterna”.

“Bento XVI dizia que a Jornada cria uma rede de amigos e acho que é isso que a gente espera que aconteça também e que está a acontecer”, observa.

O padre João Chagas afirma que os jovens procuram na Igreja “uma casa” e uma “comunidade”.

“Se encontrarem isso, eles ficam e chamam outros para vir, também. Se não encontrarem, vão procurar noutro lugar”, conclui.

Henrique Cunha (Renascença) e Octávio Carmo (Ecclesia)

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