D. José Ornelas, presidente da CEP, fala em «sinodalidade» na organização e garante que JMJ Lisboa 23 «não vai ser fogo de palha»

Foto: Agência ECCLESIA/LS

Fátima, 16 jun 2021 (Ecclesia) – O cardeal-patriarca de Lisboa acredita que as Jornadas Mundiais da Juventude, que a capital portuguesa vai acolher no verão de 2023, trarão um “revigoramento da pastoral juvenil” no país, indo para lá do momento do evento.

“(Há) a tentação de ficar reduzido a um momento, mas creio que com tudo o que está a acontecer vai deixar lastro. Não vai ser apenas a tentação de fazer algo vistoso, mas algo que vai por diante no sentido do rejuvenescimento da Igreja em Portugal e, através da Igreja, também da sociedade portuguesa porque os jovens estão espalhados por toda a parte”, afirmou D. Manuel Clemente à Agência ECCLESIA, no final das Jornadas Pastorais do episcopado, que terminaram hoje em Fátima.

A preparação da JMj 2023 está a acontecer a nível nacional, com o envolvimento de todas as dioceses, movimentos ou grupos, e D. Manuel Clemente sublinha que não poderia ser de outra maneira.

“Lisboa não podia estar (sozinha) porque é uma realidade de tal ordem, quer em termos eclesiais como sociais, que só podia ser levada por diante com a colaboração de todas as dioceses de Portugal”, reconhece.

A dinâmica criada, desde o anúncio, em janeiro de 2019, tem manifestado um “revigoramento” nas dioceses portuguesas, “muito propícia ao relançamento da pastoral juvenil em Portugal”, sublinhou o cardeal-patriarca.

As Jornadas Pastorais reuniram em Fátima os bispos portugueses, em torno da reflexão sobre a ‘Receção do Sínodo dos Bispos sobre os jovens e a Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023’, contando a presença do padre salesiano Rossano Sala, que foi secretário especial para a XV Assembleia-Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre os jovens, a fé e o discernimento vocacional.

D. José Ornelas, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, no final do encontro, realçou que este caminho até 2023 é um exemplo da sinodalidade que se quer imprimir na vida da Igreja.

“Quem está à frente de uma Igreja não tem de fazer tudo mas tem de ser aquele que vive e ajuda a animar os que estão na linha da frente a preparar todos os dias as JMJ, tem de ser vivido em Igreja. Os bispos têm de se consciencializar disto. Essa é a função desta reunião”, disse à Agência ECCLESIA.

O bispo de Setúbal fala “num passo, que não termina aqui”, rumo a uma vivência que, sublinha, “se espera que dê frutos para a Igreja e para a humanidade”.

“Se é verdade que é uma Jornada organizada pela Igreja católica, deve ser católica no sentido original da palavra que significa universal, e que sejam umas Jornadas de partilhar o que nos une, a mensagem que levamos, que pensamos essencial para este mundo”, prossegue.

D. José Ornelas indica que a mensagem é para todos e que tal como “o Evangelho é para ser anunciado” também as encíclicas do Papa Francisco “não são mensagens apenas para dentro da Igreja e estarão presentes nas JMJ”.

O presidente da CEP sublinha a consciência de não fazer da JMJ “um fogo de palha que arde e não faz brasa”.

“Queremos que este fogo e entusiasmo – que exigem resiliência, esforço, cansaço – nos façam estar preparados para outros desafios. A pandemia veio ensinar-nos isso. Não sabemos ainda como vão ser as Jornadas, o que sabemos é que vamos estar lá e fazer o melhor que podemos. E temos a certeza que não vamos estar sozinhos: vai chegar gente do mundo e o Pai do céu vai estar connosco”, finaliza.

LS

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