De São João Paulo II a Santo António, são 13 os santos e santas que, com Nossa Senhora, «demonstraram que a vida de Cristo preenche e salva a juventude de sempre» 

Lisboa, 18 mai 2022 (Ecclesia) – O Comité Organizador Local da Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023 escolheu 13 patronos que, para D. Manuel Clemente, são santos e santas que “demonstraram que a vida de Cristo preenche e salva a juventude de sempre”.

De acordo com um comunicado de imprensa, os patronos da JMJ Lisboa 2023 são S. João Paulo II, S. João Bosco, S. Vicente, Santo António, S. Bartolomeu dos Mártires, S. João de Brito, a beata Joana de Portugal, o beato João Fernandes, a beata Maria Clara do Menino Jesus, o beato Pedro Jorge Frassati, o beato Marcel Callo, a beato Chiara Badano e o beato Carlo Acutis.

“Os Patronos da JMJ Lisboa 2023 demonstraram que a vida de Cristo preenche e salva a juventude de sempre. Com eles contamos, com eles partimos”, o cardeal-patriarca no texto de apresentação dos patronos da jornada.

Foto: Agência ECCLESIA/MC

No comunicado de imprensa, a JMJ Lisboa 2023 lembra que “a preparação, a realização e o dinamismo de cada Jornada Mundial da Juventude, que se inaugura com o encontro de jovens de todo o mundo com o Papa, são confiados a patronos, santos e santas canonizados ou com esse processo em curso, referências para a comunidade jovem”.

O documento indica também que os ptronos da JMJ Lisboa 2023 são naturais da “cidade que acolhe a JMJ” ou, “naturais de outras geografias, são modelos para a juventude.

A biografia dos 13 patronos da JMJ Lisboa 2023 é apresentada num livro publicado conjuntamente pelas Paulinas e pela Paulus, com ilustrações do padre Christopher Sousa, onde se publica também um artigo do prefeito do Dicastério Leigos Família e Vida, Cardeal Kevin Farrel, “sobre a importância pastoral e espiritual dos patronos da Jornada Mundial da Juventude”.

No texto de apresentação dos patronos assinado pelo cardeal-patriarca de Lisboa, indicam-se “as principais referências históricas de cada um, assim como a sua importância pastoral e espiritual para a preparação e realização da próxima Jornada Mundial da Juventude”.

A divulgação dos patronos da JMJ Lisboa 2023 acontece no dia em que se assinala o aniversário de nascimento de São João Paulo II, fundador da Jornada Mundial da Juventude.

Apresentação dos Patronos da JMJ Lisboa 2023

Padroeira por excelência da próxima Jornada Mundial da Juventude é a Virgem Maria, a jovem que aceitou ser mãe do Filho de Deus incarnado. Ela que se levantou e foi apressadamente para a montanha, ao encontro de sua prima Isabel, levando-lhe Jesus que concebera. Assim ensina os jovens de todo o tempo e lugar a levaram Jesus aos outros que O esperam, agora como então!

Patrono é também São João Paulo II, a quem se deve a iniciativa das Jornadas, que têm reunido e animado milhões de jovens dos cinco continentes.

Padroeiros e padroeiras são todos os santos e santas que se dedicaram ao serviço da juventude e em especial São João Bosco, que São João Paulo II declarou “Pai e Mestre da Juventude”. Aos formadores propôs o seu “sistema preventivo”, de permanente atualidade: «Estai com os jovens, evitai o pecado pela razão, religião e amabilidade. Tornai-vos santos, educadores de santos. Os nossos jovens sintam que são amados».

Contamos também com a proteção de São Vicente, diácono e mártir do século IV, que sendo padroeiro da diocese a todos acolherá e reforçará com a sua caridade e testemunho evangélico.

Realizando-se em Lisboa, a Jornada terá o apoio celestial de alguns santos lisboetas, que daqui partiram para anunciar a Cristo. Como Santo António, nascido por volta de 1190, que mais tarde seguiria, já franciscano, rumo a Marrocos primeiro e logo de seguida para a Itália, o Sul de França e de novo Itália, convertendo muita gente ao Evangelho que vivia e pregava. Faleceu em Pádua em 1231 e um ano depois já tinha sido canonizado, tanta era a certeza da sua santidade. O papa Leão XIII chamou-lhe “o santo do mundo inteiro”.

Também de Lisboa foi, séculos depois, São Bartolomeu dos Mártires, dominicano e arcebispo de Braga. Partiu para Trento, tomando parte na última fase (1562-63) do Concílio que ali quis reformar a Igreja, tornando os pastores mais próximos das ovelhas, como o Evangelho requer e tanto insiste o Papa Francisco. São Bartolomeu, no Concílio e depois, foi determinante neste sentido e ainda hoje nos motiva a todos.

Um século depois, outro jovem lisboeta, São João de Brito, jesuíta, partiu para a Índia, para anunciar Cristo. Imparável no anúncio e nas viagens difíceis, vestindo e falando de modo a chegar a todos os grupos e classes, foi martirizado em Oriur, em 1693.

Acompanham-nos também alguns bem-aventurados (beatificados), lisboetas também. A primeira, Joana de Portugal, filha do rei Afonso V, que podendo ter sido rainha em vários reinos da Europa preferiu unir-se a Cristo e à paixão de Cristo, partindo para o claustro aos dezanove anos. Faleceu em Aveiro, no convento das dominicanas, em 1490. Chamamos-lhe Santa Joana Princesa e impele-nos a escolhas radicais.

Em 1570, João Fernandes, jovem jesuíta, foi martirizado ao largo das Canárias, quando se dirigia para a missão do Brasil. Foi um dos quarenta mártires dessa altura, chefiados pelo Beato Inácio de Azevedo. Tinham partido em resposta ao seu apelo missionário e decerto contribuíram desse modo no Céu para a missão que não conseguiram realizar na terra.

 Mais tarde, Maria Clara do Menino Jesus, jovem aristocrata nascida nos arredores da capital. Ficou órfã muito cedo, mas decidiu ser “mãe” dos desamparados. Numa altura em que tal era oficialmente proibido, conseguiu fundar uma congregação religiosa dedicada a essa causa (Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição). Até falecer, em 1899, ultrapassou todas as oposições, repetindo: «Onde é preciso fazer o bem, que se faça!»

A estes jovens lisboetas que “partiram” como a Mãe de Jesus, quer na geografia do mundo quer na geografia da alma, para levarem Cristo a muitos outros, juntam-se padroeiros de outras origens, mas do mesmo Reino. Como o bem- aventurado Pedro Jorge Frassati, que até falecer em Turim, em 1925, aos vinte e quatro anos, a todos tocou com o dinamismo, a alegria e a caridade com que vivia o Evangelho, tanto escalando os Alpes como servindo os pobres. São João Paulo II chamou-lhe “o Homem das Oito Bem-Aventuranças”.

Com a mesma juventude e generosidade, contamos com o bem-aventurado Marcel Callo, nascido em Rennes e falecido no campo de concentração de Mauthausen em 1945. Foi escuteiro e depois jocista (Juventude Operária Católica) e, quando aos 22 anos foi chamado para o trabalho obrigatório na Alemanha, para lá partiu, com a firme intenção de continuar o apostolado nessa duríssima condição. Por isso o levaram depois para o campo de concentração onde viria a morrer.

Contamos ainda com a proteção de dois jovens bem-aventurados que também “partiram”, mesmo quando a doença lhes imobilizou o corpo, mas não o coração. Como Cristo pregado na cruz, que daí mesmo partiu para o Pai e nos salvou a todos com a vida que entregou. Foi com Cristo abandonado na cruz que se quis identificar a bem-aventurada Chiara Badano, jovem focolarina, quando aos 16 anos a doença a surpreendeu. Faleceria dois anos depois, em 1990, irradiando sempre uma alegria luminosa que confirmou o nome de “Luce”, que Chiara Lubich lhe dera.

No ano seguinte, 1991, nasceu o bem-aventurado Carlo Acutis, que veio a morrer de leucemia em Monza aos quinze anos. A sua curta vida foi preenchida com grande devoção mariana e eucarística, que a habilidade com o computador lhe permitiu difundir, mesmo durante a doença. Assim mesmo fez do seu sofrimento uma oferta e partiu feliz.

No tempo de cada um, os Patronos da JMJ Lisboa 2023 demonstraram que a vida de Cristo preenche e salva a juventude de sempre. Com eles contamos, com eles partimos!

D. Manuel Clemente, Cardeal-patriarca de Lisboa

Para além dos patronos da JMJ Lisboa 2023, e pela primeira vez, cada Comité Organizdor Diocesano (COD), que dinamiza a preparação da Jornada que vai decorrer em Portugal, “escolheu santos ou santas que são referências para o contexto de cada realidade diocesana e, pelos seu exemplo e proteção, ajudarão a caminhar até à JMJ Lisboa 2023”.

Lisboa é a cidade escolhida pelo Papa Francisco para a próxima edição internacional da Jornada Mundial da Juventude, que vai decorrer entre os dias 1 e 6 de agosto de 2023.

As JMJ nasceram por iniciativa do Papa João Paulo II, após o sucesso do encontro promovido em 1985, em Roma, no Ano Internacional da Juventude.

A primeira edição aconteceu em 1986, em Roma, e depois a JMJ passou pelas seguintes cidades: Buenos Aires (1987), Santiago de Compostela (1989), Czestochowa (1991), Denver (1993), Manila (1995), Paris (1997), Roma (2000), Toronto (2002), Colónia (2005), Sidney (2008), Madrid (2011), Rio de Janeiro (2013), Cracóvia (2016) e Panamá (2019).

PR

Partilhar:
Share