Jornadas Nacionais de Comunicação Social sublinham desafios ligados à cobertura de «grandes eventos»

Foto: Agência ECCLESIA/HM

Fátima, 23 set 2022 (Ecclesia) – A diretora de Comunicação da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Lisboa 2023 disse hoje que o objetivo é chegar a todos, conseguindo falar aos “indiferentes”, que considerou como “o público mais difícil”.

“Não podemos apenas dizer que o convite é para todos, temos de garantir que aquilo que comunicamos e fazemos chega a todos. Temos de saber chegar aos indiferentes, saber com beleza que o convite feito pelo Papa Francisco a todos”, realçou Ana Alves, numa conferência sobre o tema ‘Comunicar grandes eventos’, na Jornadas Nacionais de Comunicação Social, que decorre em Fátima.

A diretora de comunicação da JMJ Lisboa 2023 explicou que a Jornada Mundial da Juventude “tem na base a organização de um evento”, mas quer realçar a dimensão do “encontro”, para que os “jovens sejam protagonistas”.

“Não podemos dizer que é um concerto com estrelas de rock ou como os Jogos Olímpicos, é um encontro em que os jovens vivem a sinodalidade”, acrescentou.

‘Comunicar a JMJ Lisboa 2023’ é o tema dos dois dias de partilha e debate da jornada anual promovida pelo Secretariado Nacional das Comunicações Sociais, que terminam hoje, em Fátima, na Domus Carmeli.

Ana Alves assumiu os desafios de promover um encontro para um “público inteiramente de nativos digitais”, que vão seguir a JMJ no telemóvel, e garantir experiência “a relação humana”.

A JMJ Lisboa 2023 é comunicada nas redes sociais Facebook, Twiteer, Instagram e Linkedin – o TikTok está em estudo -, com vários conteúdos, em cinco idiomas, para além da preocupação numa “comunicação inclusiva”.

Partindo da dimensão espiritual e pastoral do evento, os responsáveis querem “tornar os conteúdos apelativos e afetivos”, com “graça, leveza”, e um tom que cative.

Ana Alves salientou que é necessário “garantir” que tudo o que se comunica “tem efetividade no terreno”, destacando valores “inerentes” à JMJ, como a união, a paz e a fraternidade.

A responsável começou a sua intervenção a partir de aspetos que marcam este tempo, nomeadamente a indiferença, o bullying online, a solidão e a guerra, que acontece pelo mundo inteiro.

A professora Catarina Burnay, da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa (UCP), disse na sua intervenção que “grandes eventos” são aqueles que têm a “capacidade de alterar as rotinas mediáticas” e dos seus recetores.

Segundo a especialista, a oração do Papa Francisco na Praça na Praça de São Pedro, no início da pandemia, a 27 de março de 2020, “foi um evento mediático, um grande evento”.

Catarina Burnay precisou que os eventos mediáticos têm sete características base: a “transmissão em direto; tipicamente não são iniciados pelos media, podem ser pensados tendo cobertura mediática; enquadrados no tempo e espaço; elemento eletrizante, apelo emocional; visionamento quase obrigatório; pré-planeados”.

A docente da Faculdade de Ciências Humanas afirmou que a JMJ é “evento mediático”, mas ultrapassa essa dimensão e os jornalistas não devem ver as jornadas “como mero acontecimento noticioso, desajustado da realidade”, e lembrou as três últimas mensagens do Papa Francisco para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, com as palavras-chaves “narrar, ver” e “escutar”.

CB/OC

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