Experiência da Peregrinação Europeia serviu como «aperitivo» para grande encontro do próximo ano

Foto: Agência ECCLESIA/OC

Octávio Carmo, enviado da Agência ECCLESIA a Santiago de Compostela

Santiago de Compostela, Espanha, 08 ago 2022 (Ecclesia) – A Peregrinação Europeia de Jovens (PEJ) 2022, que chegou ao fim este domingo, em Santiago de Compostela, Espanha, uniu 12 mil participantes para uma semana de celebrações, abrindo uma nota etapa rumo à JMJ Lisboa 2023.

O responsável pelo Setor da Pastoral da Juventude do Patriarcado de Lisboa, João Lobato Clemente, diz que os jovens assumiram este convite para a próxima JMJ com “uma alegria muito grande”.

“Fomos vendo jovens de toda a Europa a dizer que querem estar em Lisboa e que vão participar”, disse à Agência ECCLESIA.

Da PEJ, acrescentou, sai a vontade reforçada de ver os jovens possam assumir responsabilidades na preparação e organização da JMJ 2023.

“Foi um revigorar de forças, olhando para a Jornada de Lisboa como algo que desejamos muito viver. Aqui fomos ensaiando, de alguma maneira, aquilo que vai acontecer”, indicou João Lobato Clemente.

Matteo, da Diocese de Roma, viu na experiência dos últimos dias um “ensaio” para a JMJ de 2023, para onde já se concentram atenções.

“Estamos sempre à espreita, sempre presentes, sempre prontos para ir onde o caminho nos levar. Portanto, vemo-nos em Lisboa”, adiantou.

O jovem italiano sublinhou a experiência de “universalidade” da Igreja, que fala a “todos, os que estão a caminho ou aos que ainda não o começaram”.

“O mais bonito nesta Igreja, universal, é que todos falamos a mesma língua, ainda que cheguemos de lugares diferentes”, acrescentou.

Iria, que chegou de Barcelona, disse que a presença em Lisboa é uma meta do seu grupo: “Claro que sim, temos esse objetivo e faremos todos os possíveis para ir”.

“Queremos partilhar a fé, com pessoas da mesma idade, e demonstrar ao mundo que o Cristianismo continua presente, que os jovens o vivem com alegria e esperança”, acrescentou.

Carina Barbosa, da Diocese de Viana do Castelo, afirmou que o percurso até Santiago foi muito marcado pelo hino da JMJ 2023 (Há pressa no ar), que deu “força para continuar”.

Questionado sobre a viagem até Lisboa, no próximo ano, a resposta chegou pronta: “Estamos a trabalhar para isso”.

“Estamos a ver se conseguimos levar muitos jovens”, observou, envergando a t-shirt oficial da jornada portuguesa.

Vera Lario, que acompanhou os jovens de Viana do Castelo, explica que houve muitas perguntas sobre o encontro de 2023, a que foram respondendo com um convite: “Esperamos por vocês no próximo ano”.

Joana Pinto e Leonor Ferreira, pertencentes ao grupo de jovens ‘Mãos de Deus’, da Diocese do Porto, sublinharam os “desafios” que a peregrinação apresentou, confessando a expectativa em relação ao que podem viver na JMJ 2023 e nos momentos que a precedem, nos chamados ‘Dias nas Dioceses’.

“É uma recompensa gigante ver que estamos rodeados por jovens de toda a Europa, que sentem a mesma fé e fazem festa pelo amor a Cristo”, referiu Joana.

Leonor, que nunca participou em qualquer JMJ, até hoje, admitiu que a PEJ 2022 serviu como “preparação” para o evento do próximo ano: “Abre as nossas expectativas e a nossa criatividade, para quando recebermos jovens”.

Na Praça diante da Catedral de Santiago destacava-se o grupo de cerca de 100 alunos dos colégios das Religiosas da Pureza de Maria, vindos de várias partes de Espanha.

A irmã Mónica Muñoz realçou que esta experiência de “família” permite mostrar a imagem de uma Igreja “muito viva, dos jovens, onde eles são protagonistas”.

“Todos os que aqui estamos já sonhamos com Lisboa e esperamos estar lá, no ano que vem. Desde que ouvimos o anúncio, no Panamá [2019], ficamos com muita vontade de ir e esperamos que o país irmão nos receba com os braços abertos. Estaremos aí”, prometeu, enquanto os jovens cantavam ‘esta é a juventude do Papa’.

Foto: Agência ECCLESIA/OC

À imagem de uma Jornada Mundial da Juventude, o programa da PEJ incluiu momentos de oração, concertos, encontros temáticos e propostas culturais, ao longo de seis dias, em toda a cidade de Santiago.

Rute Milho, do Patriarcado de Lisboa, destacou a diversidade de propostas e falou de “um Deus que se encontra na festa”, apontando já a agosto do próximo ano.

“Estas peregrinações não se podem esgotar no caminho e na preparação que estamos a fazer, mas acima de tudo está o encontro com Deus, em cada um destes momentos”, sustentou.

Cátia Sofia Santos, do grupo lisboeta, falou de uma “experiência muito rica”, marcada pelo cansaço da caminhada e pela partilha com os outros participantes.

Já Nélson Tomás, um dos mais de 100 jovens do Patriarcado a peregrinar até Santiago – num percurso com três etapas de caminhada -, encontrou “muitas pessoas” com vontade de retribuir a visitar, em 2023.

“Estamos já a sentir o calor do próximo ano”, afirmou, destacando que a PEJ ofereceu “inspiração” para o acolhimento de peregrinos.

Miguel, de 27 anos, integrou o grupo de 29 jovens da Diocese de Leiria-Fátima a participar na PEJ, uma “experiência transformadora, de crescimento com Cristo” e de proximidade com pessoas de outras proveniências.

“É muito fácil encontrar Cristo nas pessoas. Em paralelo com todas estas distrações, todos estes estímulos turísticos, consumistas, também é fácil, num gesto gratuito, mergulhar no mistério, naquilo que nos traz aqui. E isso é indescritível”, sustentou.

Quanto à JMJ 2023, o entrevistado convidou quem pensa participar a centrar-se “no encontro e no grau de verdade” com que vai viver a experiência, independentemente das naturais dificuldades que um evento de multidões apresenta.

“Que cada um faça a sua parte, como puder”, apelou.

Elisabete Inverno, da Juventude Hospitaleira, participou na PEJ inserida num grupo que juntava Portugal e Espanha, tendo sido acompanhados por utentes das instituições das Irmãs Hospitaleiras e dos Irmãos de São João de Deus.

“Foi um testemunho importante e bonito”, relatou, esperando poder “retribuir” o acolhimento dos hospitaleiros espanhóis no próximo ano.

Vinda de Toledo, Maria Casas Torres confessou que, depois da PEJ, a vontade de estar em Lisboa, para “ver o Papa”, é agora “o dobro”.

A delegação portuguesa, com cerca de 250 participantes, chegou de oito dioceses e três movimentos juvenis, percorrendo as etapas finais dos caminhos de Santiago, a pé.

A Missa final da PEJ 2022 celebrou-se este domingo, sob a presidência de D. António Marto.

Segundo a organização, marcaram presença 55 bispos de Espanha, Itália e Portugal, 370 sacerdotes e 400 consagrados, além de centenas de voluntários.

A Cruz da JMJ e o Ícone mariano que a acompanha passaram por Santiago de Compostela, numa etapa especial da atual peregrinação pelas dioceses portuguesas, rumo ao encontro internacional de Lisboa.

Os símbolos visitam este mês a Diocese de Bragança-Miranda, para onde regressaram este domingo, sendo acolhidos no Santuário de Nossa Senhora da Visitação, em Vimioso.

OC

Igreja: Santiago de Compostela viveu «teste» para a JMJ 2023 (c/fotos)

Partilhar:
Share