«É muito importante que este caminho dos símbolos seja de missão, desafiar os jovens para a missão, para a evangelização dos outros jovens» – D. Joaquim Mendes

Foto: JMJLisboa2023

Lisboa, 07 jul 2021 (Ecclesia) – Os símbolos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) chegam esta quinta-feira a Luanda (Angola) ,onde vão começar a sua peregrinação de evangelização ao encontro dos jovens e de divulgação do evento cultural e religioso agendado para 2023, em Lisboa.

“É muito importante que este caminho dos símbolos, que se insere na preparação para a Jornada Mundial da Juventude, seja um caminho de missão, o desafiar os jovens para a missão, para a evangelização dos outros jovens, e a transformação das suas próprias comunidades, através da sua energia, da sua criatividade, do seu protagonismo, e da sua fé”, disse à Agência ECCLESIA D. Joaquim Mendes, coordenador geral da JMJ Lisboa 2023 para a área pastoral.

O bispo auxiliar de Lisboa considerou “desejável” que esta peregrinação da Cruz e do ícone de Nossa Senhora seja “um momento marcante na vida das dioceses” portuguesas, que recebem os símbolos a partir de novembro deste ano, até julho de 2023.

“Como o Papa desejou e manifestou, seja um caminho de evangelização, de transformação pastoral e missionária e agora sinodal de renovação da Igreja, através das comunidades e do protagonismo dos jovens”, acrescentou D. Joaquim Mendes, presidente da Comissão Episcopal Laicado e Família.

A peregrinação dos símbolos da JMJ começa na capital de Angola, a pedido da conferência episcopal local, percorrendo o país até 15 de agosto.

“Foi também um desejo de Angola que os símbolos estivessem presentes, algo que estava a ser pensado há algum tempo mas com toda esta situação da pandemia foi-se adiando. Vamos iniciar este grande caminho e vai ter um itinerário que já está proposto pela própria Conferência Episcopal de Angola e São Tomé”, explicou o padre Filipe Diniz, que está a coordenar a peregrinação dos símbolos na Conferência Episcopal Portuguesa, à Agência ECCLESIA.

O diretor do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil (DNPJ) de Portugal destaca o “desafio”, a proximidade ao país de Língua Oficial Portuguesa e a vontade de “ir a caminhar e estar também presente em África, mais concretamente Angola”.

O padre Filipe Diniz relata que a primeira memória que tem da cruz e do Ícone de Nossa Senhora ‘Maria Salus Populi Romani’ foi quando estiveram em Portugal, em 2010, que “foi o despertar” para este “grande acontecimento” e que “sentido é que têm estes símbolos”.

“E depois perceber a carga histórica que já existe por ter passado por tantos países, com esta componente muito de despertar, este sentido de sermos cristãos. Quem faz o convite de facto é este Jesus Cristo que desperta e na altura para mim foi muito importante”, acrescentou.

O sacerdote da Diocese de Coimbra afirma “que fantástico foi na altura ter tido esta oportunidade de estar tão próximo dos símbolos”, afinal, aquilo que é simbólico “é aquilo que une” e ajudou a viver e a preparar-se para a jornada mundial de Madrid.

“Na altura estava como responsável da juventude da diocese e despertou até para despertar os jovens que pudessem ir à Jornada Mundial da Juventude e rezar pela organização, que não sabia quem eram. Hoje é um pouco isso, acredito que a Jornada Mundial da Juventude a acontecer os símbolos vão ser de um grande desafio e esta é a minha grande esperança, que possam despertar esta Igreja, a Igreja de Jesus Cristo, possa despertar os jovens para que sejam sinais vivos deste Jesus Cristo nesta Igreja que somos e que despertem aqueles jovens que vivem se calhar não tão despertos e vivem nas periferias”, desenvolveu o padre Filipe Diniz.

Quando os símbolos regressarem à Europa vão peregrinar em Espanha, nos meses de setembro e outubro, onde regressam para o encontro europeu de jovens em Santiago de Compostela, de 4 a 7 agosto de 2021, no âmbito do ano santo (ano jacobeu ou jubilar).

“A vizinha Espanha no sentido também deste convite que fizeram e, por ser o nosso país vizinho, toda esta promoção e toda esta divulgação, depois também a cooperação que vão ter naquilo que vai ser a Jornada Mundial da Juventude”, referiu o padre Filipe Diniz, lembrando que em 2010 os símbolos também estiveram em Portugal, antes da JMJ Madrid 2011.

A Cruz da JMJ foi entregue pelo Papa João Paulo II aos jovens em abril de 1984 e marcou o início de uma peregrinação da juventude de todo o mundo; em 2000, o mesmo pontífice confiou aos jovens uma cópia do Ícone de Nossa Senhora ‘Maria Salus Populi Romani’.

“O primeiro e grande pedido é que se comece a criar, na minha perspetiva, esta lógica de oração pela Jornada Mundial da Juventude; Muitos jovens vão encontrar-se com estes símbolos e despertar não só para vir à jornada mas, com este tempo de antecedência, começar a criar um ritmo de oração para o país, neste caso a organização que já está a preparar e a viver a passos largos esta preparação para a Jornada Mundial da Juventude”, desenvolveu o padre Filipe Diniz.

O diretor do DNPJ sublinhou que a pandemia Covid-19 “parou um bocadinho estes processos” mas, a dois anos do verão de 2023, acredita que “começa a surgir esta vontade de querer vir ao encontro dos símbolos”.

D. Joaquim Mendes, por sua vez, recordou o pedido do Papa aos jovens na JMJ do Rio de Janeiro, em 2013: “Por favor não deixem para os outros o serem protagonistas da mudança, vocês são aqueles que têm o futuro”.

“O que pedimos aos jovens é que acolham este desafio do Papa Francisco e abracem com alegria estes símbolos, e percorram um caminho de preparação para a Jornada Mundial da Juventude de modo que sejam um testemunho claro e evidente de fé e de missão”, acrescentou o coordenador geral da JMJ Lisboa 2023 para a área pastoral.

CB/OC

A cruz de madeira mede 380 cm de altura e pesa 31 kg; os braços medem 175 cm de largura e os painéis em madeira medem 25 cm de largura, e o Ícone de Maria mede 118 cm de altura, tem 79 cm de largura e 5 cm de profundidade, pesando 15 Kg.

A Cruz peregrina já viajou aos cinco continentes e a quase 90 países: Foi transportada a pé, de barco e até por trenós, gruas ou tratores, passou pela selva, visitou igrejas, centros de detenção juvenis, prisões, escolas, universidades, hospitais, monumentos e centros comerciais. E enfrentou muitos obstáculos, como greves aéreas a dificuldades de transporte, por não caber nos aviões disponíveis.

As JMJ nasceram por iniciativa do Papa João Paulo II, após o sucesso do encontro promovido em 1985, em Roma, no Ano Internacional da Juventude.

Cada JMJ realiza-se, anualmente, a nível local (diocesano) no de Cristo Rei (até ao ano passado, a celebração decorria no Domingo de Ramos), alternando com um encontro internacional a cada dois ou três anos, numa grande cidade.

As edições internacionais destas jornadas promovidas pela Igreja Católica são um acontecimento religioso e cultural que reúne centenas de milhares de jovens de todo o mundo, durante cerca de uma semana.

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