Financiado pelo PRR e por privados, centro pastoral apresenta auditório, estúdio e atelier como novidades, propondo desenvolver as dimensões da espiritualidade, formação, serviço e artes

Lisboa, 30 set 2026 (Ecclesia) – O Centro Universitário Padre António Vieira – CUPAV, da Companhia de Jesus, no Lumiar, no Patriarcado de Lisboa, cresceu e abre hoje as portas das novas instalações aos estudantes, procurando ser uma “casa aberta” a todos, dando continuidade à missão “de sempre”.
“Queremos ser uma casa que acolhe todos, focada especialmente na juventude, nos universitários, porque achamos que é a fase de vida primordial para haver transformação, para haver vontade de mudança, para haver curiosidade”, afirmou Miguel Louza Viana, administrador do CUPAV, aos jornalistas, na apresentação do projeto na passada sexta-feira.
O novo espaço situa-se imediatamente ao lado do edifício antigo, que, segundo o responsável, “estava a rebentar pelas costuras”, isto é, “já não era suficiente para acomodar toda a gente” que o procurava para participar nas “atividades”, “cursos” e “celebrações”.
“Começámo-nos a aperceber que o CUPAV nunca tinha tido um espaço que tivesse sido criado para a missão e não a missão que se tinha que moldar ao espaço, como era anteriormente”, explicou.
Nascido em 1984, com a vinda do padre António Vaz Pinto para Lisboa, o Centro Universitário Padre António Vieira surgiu como uma proposta de cultivar uma fé adulta, preocupada com a justiça e aberta ao diálogo com a cultura, instalando-se num edifício junto ao Colégio S. João de Brito, no Lumiar, doado pelas comunidades dos jesuítas.
“Agora não, agora foi construído de raiz, um projeto de arquitetura como base na missão que o CUPAV quer exercer. E por isso o espaço está pensado para corresponder a essa missão”, indicou Miguel Louza Viana.

Em 2016, começou a ser idealizado um novo edifício que, ao longo do tempo, “foi-se aprimorando” e “maturando”, conta, tendo-se procurado perceber de que forma este poderia contribuir para a realidade da Igreja, mas, sobretudo, do país e da sociedade em geral.
A concretização da obra, pensada com o atelier de arquitetura Paralelo Zero, teve um
investimento total de cerca de 5 milhões de euros, dos quais quase 40% (1,9 milhões) provêm do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), no âmbito da Operação Integrada Local do Lumiar (OIL), em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa/Área Metropolitana de Lisboa.
O restante investimento decorreu por meio de donativos privados, de “grandes empresas” e a “maior parte” de “pessoas da comunidade”, segundo Miguel.
Apesar das novas instalações, o administrador salienta que a intuição da casa se mantém a mesma do padre António Vaz Pinto e dos jesuítas que criaram os centros universitários nos anos 80.
Nesse sentido, o CUPAV quer acompanhar os estudantes em quatro dimensões: espiritualidade, formação, serviço e artes.
“Achamos que estas quatro vertentes são transversais a qualquer ser humano e o olhar cristão tem, achamos nós, uma perspetiva muito interessante”, assinala o administrador da casa.

Miguel Louza Viana adianta que o projeto quer ter “uma intervenção social forte” no que respeita a “criar grupos e comunidades”, não só para ir ao encontro das “pessoas mais frágeis”, mas trazendo-as para dentro do Centro Universitário Padre António Vieira, para poderem participar e fazer parte dele.
Por outro lado, o espaço deseja ser “facilitador dos projetos dos outros”, aponta, recordando que o Banco Alimentar Contra a Fome nasceu “no ecossistema do CUPAV”.
“Foi nestas salas que pessoas como o padre António Vaz Pinto e outros foram conversando e criando esse projeto”, explica, assumiando que “o CUPAV quer ser um espaço que facilita a criação de novos projetos de ação social”.
| O novo espaço tem agora capacidade para receber 5 mil pessoas por mês e divide-se entre dois edifícios ligados por um jardim comum, sendo o primeiro para a dimensão mais pública da atividade e o segundo pensado para ser mais recolhido e comunitário.
O projeto de arquitetura teve como principal objetivo “acomodar a missão” e, portanto, os espaços procuraram responder às necessidades dos jovens. As novidades passam por um estúdio, um atelier, o auditório e a capela, já que a antiga só conseguia acomodar 30 pessoas, que, com o passar dos anos, representavam uma pequena parte daqueles que ali se deslocavam para participar na Missa, que foi transferida para o salão. “Isso foi sempre uma tensão vivida no CUPAV e, por isso, é que a nova capela é um espaço especialmente querido a todos nós e ao projeto porque responde a esta necessidade”, registou. Segundo Miguel Louza Viana, o novo auditório é no modelo de “anfiteatro”, com o intuito de “ser mais participativo”, afastando a imagem de orador e ouvintes, “para que todos tenham a liberdade e se sintam capazes de intervir”. “Também a própria entrada do CUPAV que, antigamente, era uma espécie de um corredor escuro e à noite ainda mais escuro e no inverno enlameado e não muito confortável e não muito chamativo, agora é um portão que estará aberto durante o dia todo na estrada da torre, na rua”, exemplifica. O administrador do Centro Universitário Padre António Vieira sublinha que a participação na casa “é totalmente” gratuita: “Não é preciso inscrições para entrar no CUPAV, nem conhecer alguém, basta entrar”. Os dois edifícios incluem também escritórios da equipa, salas de acompanhamento espiritual, bar e cozinha industrial, salas polivalentes (primeiro edifício) e um terraço e uma biblioteca (segundo edifício). Já o atelier e o estúdio insonorizado vão ser, na linha da formação intelectual e artística, “dois espaços” para os estudantes aprofundarem “a sua relação com a arte, com a beleza, com a cultura e explorar”. |
O padre Nuno Branco, diretor pastoral do CUPAV, destaca que o contrário de dimensão estética é a “anestesia”, “criar um inibidor à dor”, lembrando que quando humanos se impedem da fragilidade, da possibilidade de serem feridos, também se inibem de viver a alegria.
“A estética não é só criar aqui uma coisa de beleza, mas é voltar a esta condição originária que todos nós, homens e mulheres, a primeira condição é sermos lançados à vida, sermos expostos com o que isso tem de fragilidade, de vulnerabilidade, de estarmos desabrigados”, realçou.
O sacerdote jesuíta enfatiza que os jovens apreciam fazer a experiência em primeira mão, algo que acontece nesta dimensão, neste caso de experimentar a “relação de vida comunitária saudável”, “um encontro com Deus”.
“A estética não é só um património das artes, mas é, queremos que por via das artes, extravase as paredes de um estúdio e de uma oficina e que se propague por todo o CUPAV”, disse.
O novo CUPAV abre hoje, quarta-feira, dia da casa aberta aos estudantes, com a Missa de universitários marcada para as 19h15, na capela da consolação, ficando disponível a partir de agora para quem quiser rezar, estudar, trabalhar, reunir ou passear.
“É assim uma comunidade muito heterogénea e eles vão começar a apropriar-se, a viver, a habitar este espaço”, declarou o padre Nuno Branco.
Em outubro, a abertura é celebrada com a festa dos Universitários, no dia 7, e com o Dia aberto a toda a comunidade, no dia 17, sábado.
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