Francisco repetiu mensagens em defesa da comunidade cristã, apelando ao diálogo entre religiões e à paz

Foto: Vatican Media

Bagdade, 08 mar 2021 (Ecclesia) – Francisco regressou hoje a Roma, após ter-se tornado o primeiro Papa a visitar o Iraque, numa viagem marcada pelas mensagens em defesa da comunidade cristã, apelando ao diálogo entre religiões e à paz no país e no Médio Oriente.

“Deus é misericordioso e a ofensa mais blasfema é profanar o seu nome odiando o irmão. Hostilidade, extremismo e violência não nascem dum ânimo religioso: são traições da religião”, declarou, num simbólico encontro inter-religioso que decorreu em Ur dos caldeus, a terra natal do patriarca Abraão, uma referência para judeus, cristãos e muçulmanos.

A despedida decorreu, numa cerimónia privada, no aeroporto internacional de Bagdade, com a presença do presidente iraquiano, Barham Salih, e responsáveis das comunidades cristãs.

O chefe de Estado do Iraque recorreu ao Twitter para elogiar a “grande mensagem de humanidade e solidariedade” do Papa.

“A sua presença, sinal de paz e amor, vai ficar para sempre nos corações de todos os iraquianos”, escreveu.

O voo descolou cerca das 09h55 locais (06h55 em Lisboa) e chegou a Roma pelas 12h20 (11h20 em Lisboa), meia hora antes do previsto.

Francisco viajou na companhia de 74 jornalistas de 15 países, com quem falou durante o regresso à capital italiana.

A visita, também a primeira desde o início da pandemia, foi considera “emblemática” pelo próprio Papa, ao partir da Itália, na última sexta-feira, e como um “dever” para com uma comunidade “martirizada” pela violência terrorista e a guerra, nas últimas décadas.

O tema esteve presente no discurso inaugural, o único diante de responsáveis políticos, no Palácio Presidencial de Bagdade, onde Francisco condenou o fundamentalismo e apelou ao reconhecimento dos direitos de cidadania de todos os crentes.

Ainda na capital iraquiana, o Papa homenageou as vítimas do atentado terrorista que matou 48 pessoas, na Catedral siro-católica de Sayidat al-Nejat (Nossa Senhora da Salvação), a 31 de outubro de 2010.

No sábado, Francisco fez história ao visitar a cidade de Najaf, uma das mais sagradas para o Islão xiita, encontrando-se com o grande aiatola Al-Sistani, com quem pediu “respeito mútuo e diálogo entre religiões.

O líder xiita emitiu uma declaração, após o encontro, defendendo “paz e segurança” para os cristãos no Iraque.

Em Ur, o Papa rejeitou o terrorismo e a violência em nome de Deus, considerando que nenhum crente pode ficar calado “quando o terrorismo abusa da religião”.

A primeira Missa com a comunidade católica foi celebrada na Catedral de São José, em Bagdade, junto da histórica comunidade caldeia, recordando os “mártires” do último século e quem sofre “perseguições” pela sua fé cristã.

Este domingo, terceiro dia da viagem, Francisco multiplicou gestos e palavras de homenagem às vítimas da guerra e terrorismo, rumando a norte para visitar Erbil, Mossul e a cidade cristã de Qaraqosh.

Em Mossul, bastião do autoproclamado Estado Islâmico antes da sua derrota, o Papa falou junto às ruínas de quatro igrejas – onde rezou em silêncio – criticando os que “pervertem o nome de Deus ao percorrer caminhos de destruição”.

Se Deus é o Deus da vida – e é-O –, não nos é lícito matar os irmãos em seu nome. Se Deus é o Deus da paz – e é-O –, não nos é lícito fazer a guerra em seu nome. Se Deus é o Deus do amor – e é-O –, não nos é lícito odiar os irmãos”.

Em Qaraqosh, Francisco viveu o seu primeiro banho de multidão, deixando uma mensagem de esperança à cidade de maioria cristã, num clima de festa: “O terrorismo e a morte nunca têm a última palavra”.

O último encontro da viagem foi a celebração da Missa num estádio de Erbil, com milhares de pessoas, a quem o Papa convidou a perdoar e a evitar qualquer ideia de “vingança”, depois dos sofrimentos dos últimos anos.

“O Iraque ficará sempre comigo, no meu coração”, declarou, emocionado.

OC

Notícia atualizada às 11h45

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