Jornalistas Rosa Pedroso Lima e Octávio Carmo analisam herança deixada pelo pontífice sul-americano
Lisboa, 20 abr 2026 (Ecclesia) – Os jornalistas Rosa Pedroso Lima e Octávio Carmo, vaticanista, recordaram o Papa Francisco, que morreu há um ano, destacando os gestos de proximidade, a capacidade de falar para todos e as mudanças que procurou implementar na Igreja.
“Na extrema humanidade e proximidade do Papa Francisco, ele falou com uma enorme clareza e diretamente para o mundo. E, portanto, eu guardo muitas, muitas expressões, muitos gestos e muitos atos do Papa Francisco, uma espécie de guia, um roadmap [roteiro], sobre o que é ser cristão, o que é que é ser católico hoje”, afirmou a jornalista ao Programa ECCLESIA (15h00, RTP2).
O primeiro pontífice sul-americano na história da Igreja morreu no dia 21 de abril de 2025, aos 88 anos, na Casa de Santa Marta, no Vaticano, na sequência de um acidente vascular cerebral (Ictus Cerebri).
O chefe de redação da Agência ECCLESIA revela que o “Papa Francisco foi alguém que entrou na vida da família”, guardando em casa, além de fotos dos voos papais, bonecos que representam o pontífice, oferecidos pelas filhas.
Sobre o impacto deixado pelo pontífice, Rosa Pedroso Lima destaca que “não é possível mudar tudo”, contudo “é impossível que tenha ficado tudo na mesma” com o pontificado de 12 anos.
“A reforma da Igreja foi, talvez, um dos desafios mais difíceis e talvez aquele que lhe custou pessoalmente mais choques frontais dentro da própria Igreja. Eu acho que fez caminho e penso que há caminho que não tem retrocesso”, defendeu.
A jornalista, que foi porta-voz da Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023, realça a mensagem que Francisco deixou de que a Igreja não pode estar fechada no seu palácio, ao ter preferido morar na Casa de Santa Marta.
“Eu acho que o exemplo vem de cima e por isso foi tão importante esse seu gesto”, indicou.
No entanto, Rosa Pedroso Lima não olha para o regresso do Papa Leão XIV ao Palácio Apostólico e à retoma da tradição de deslocar-se a Castel Gandolfo como um retrocesso.
A jornalista entende que “a autenticidade do Papa Francisco também não pode ser imitada” só porque sim e que a “falta de complexo” do primeiro pontífice dos EUA “é também uma continuidade” do antecessor.
Octávio Carmo ressalta que um dos grandes legados da sinodalidade do pontífice da Argentina foi a aproximação da Igreja por parte de muitas pessoas que estavam “às margens” ou “completamente longe”.
“Se este movimento for travado, as pessoas vão embora e já não voltam. E penso que Francisco tinha muito essa consciência”, referiu.
O vaticanista considera que o Papa “do fim do mundo” foi revolucionário na capacidade de abrir e falar para todos e ser ouvido por cristãos e não cristãos.
O pontificado de Leão XIV ficou marcado também pela fraternidade humana e a amizade social, que deram origem a documentos.
“A [encíclica] Fratelli Tutti tem um gene, uma semente inicial que ninguém esquece, que é a viagem do Papa à Lampedusa, onde ele denuncia a globalização da indiferença. A globalização da indiferença tem como protagonistas muitos migrantes não católicos, não cristãos”, lembra.
O chefe de redação da Agência ECCLESIA enfatiza que, em conjunto com este documento, as exortações apostólicas ‘Evangelii Gaudium’ e ‘Amoris Laetitia’ e a encíclica ‘Laudato Si’ são “textos absolutamente fundamentais para definir o que é o pensamento católico do século XXI”, lembrando que o Papa Leão XIV já convocou reuniões para refletir sobre alguns deles.

O legado do antecessor de Leão XIV incluiu também a atenção à juventude, que em Portugal sobressaiu com a realização da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Lisboa 2023.
Rosa Pedroso Lima, que acompanhou de perto o encontro, sublinha que na JMJ viveu uma realidade da igreja que desconhecia “em absoluto”, com jovens que se manifestaram “entusiasticamente” e se entregaram à organização desta edição.
“Isto agora é uma responsabilidade. É uma responsabilidade para a igreja portuguesa, é uma responsabilidade para cada uma das paróquias”, disse.
Por sua vez, Octávio Carmo menciona que, com Francisco, os jovens ganharam um lugar no Vaticano com a criação de um observatório internacional.
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