Sacerdote, que foi agraciado pelo Município de Ponta Delgada, destacou a piedade popular como força viva dos Açores

Ponta Delgada, Açores, 10 jul 2026 (Ecclesia) – O diretor do Instituto Católico de Cultura (ICC) da Diocese de Angra apresentou três grandes conclusões na conferência inaugural das Festas do Espirito Santo, organizadas pelo Município açoriano de Ponta Delgada que agraciou-o com a medalha de ouro.
“A piedade popular, nas suas diferentes formulações, expressa a força do povo; sem povo não há política, cultura, religião nem fé”, disse monsenhor José Constância, esta quinta-feira, na primeira grande conclusão da conferência, onde incidiu sobre a própria natureza da piedade popular, citado pelo portal ‘Igreja Açores’ da Diocese de Angra.
Na igreja Matriz de São Sebastião, o sacerdote açoriano acrescentou que é nestas manifestações que se revela e amadurece o sentido da fé vivido por todo o povo de Deus, e, na segunda conclusão, assinalou que os Conselhos Pastorais devem integrar representantes da piedade popular, explicando que mesmo organizada pelo povo e pelos mordomos é “sempre caminho para o Evangelho”.
“Ela é o caminho prático da sinodalidade e pode ser a grande estrada da sinodalidade nas ilhas, é um lugar teológico, onde Deus fala e o povo concretiza”, indicou, salientando que a piedade popular é “uma escola” na XXIII edição das Grandes Festas do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada, na Ilha de São Miguel.
O diretor do ICC também alertou que “enquanto houver fome, as Missas que se celebram na Igreja não estão completas, uma piedade popular que não cuide dos pobres está incompleta”, na terceira conclusão, que refletiu sobre a dimensão social da devoção, porque a piedade popular só é completa quando conduz à conversão pessoal e comunitária e se traduz em gestos concretos de solidariedade.
‘A Piedade Popular Açoriana com referência especial ao Espírito Santo: memórias, constatações, e convicções pastorais’, foi o tema da conferência inaugural das Grande Festas do Divino Espírito Santo 2026 de Ponta Delgada que começaram esta quinta-feira, dia 9, e terminam no domingo, 12 de julho.
Monsenhor José Constância, ao longo da conferência, destacou a necessidade da formação cristã dos agentes envolvidos nestas manifestações religiosas, e alertou que a piedade popular “não pode ser um trampolim para alcançar títulos”.
A identidade dos Açores assenta numa matriz profundamente cristã, e o sacerdote destacou o culto ao Divino Espírito Santo como elemento agregador das ilhas do arquipélago português, e explicou o protagonismo dos leigos, das mordomias e das coroações na preservação de uma tradição que une gerações e comunidades, incluindo os emigrantes.
No final da conferência, o diretor do Instituto Católico de Cultura incentivou a realizar-se um grande encontro entre a Igreja e a sociedade açoriana, para refletirem sobre o desenvolvimento da Região e as virtudes da autonomia, e também um Sínodo Diocesano de Angra, essencial para reforçar a formação dos fiéis, aprofundar a vivência da sinodalidade e promover uma renovação da piedade popular, informa o sítio online ‘Igreja Açores’.

O presidente da Câmara de Ponta Delgada, Pedro Nascimento Cabral, sublinhou que “o Espírito Santo é do povo”, e destacou que as Festas do Divino Espírito Santo são “festas do povo, feitas pelo povo e para o povo”; a cerimónia continuou com um concerto da Sinfonietta de Ponta Delgada, que estreou a obra “Eis o Espírito de Deus”
O ICC, com 34 anos de existência, é uma instituição eclesial ao serviço da Diocese de Angra com uma missão específica na área da cultura e da formação, “visando uma presença cristã transformadora do mundo”.
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