Cardeal Gianfranco Ravasi interveio em debate com a presença de professores e as embaixadoras acreditados junto da Santa Sé

Foto: Lusa/EPA

Cidade do Vaticano, 24 nov 2020 (Ecclesia) – O presidente do Conselho Pontifício para a Cultura (Santa Sé) disse que “o racismo é uma forma de negacionismo social e espiritual”, no webinar ‘O racismo, as mulheres e a Igreja Católica’, na Universidade LUMSA, em Roma.

“O racismo é a negação da relação, é uma forma de negacionismo social e espiritual”, afirmou o cardeal Gianfranco Ravasi, assinalando que afirmar a necessidade de ir ao encontro do outro e reconhecer a diferença do outro são duas ações fundamentais para combater o preconceito racial.

O cardeal observou que “a luta contra o racismo não pressupõe uniformidade, mas multiplicidade na unidade”, citando o Antigo Testamento, explicou que relata a palavra “adamah” traduzida depois para “Adão”, que em hebraico tem o significado de “humanidade”.

“Somos todos Adão”, somos todos humanidade, continuou o biblista, presidente do Conselho Pontifício para a Cultura da Santa Sé, recordando que São Paulo, na Carta aos Gálatas e na Carta aos Colossenses, afirma que “não há escravo ou liberto, bárbaro ou estrangeiro”: “Somos todos um em Cristo”.

No webinar (conferência online com intuito educacional) na ‘Libera Università Maria Santissima Assunta’, com a presença de professores e as embaixadoras acreditados junto da Santa Sé, o cardeal Gianfranco Ravasi citou as palavras do Papa sobre o racismo na audiência-geral de 3 de junho.

“Não podemos tolerar qualquer tipo de racismo e ao mesmo tempo, afirmar que defendemos a sacralidade de toda vida humana”, disse Francisco no Vaticano, quando decorriam nos Estados Unidos da América protestos por causa da morte de George Floyd por um polícia, a 25 de maio.

O sítio online ‘Vatican New’ informa que a conferência online com intuito educacional contou com o testemunho da irmã Rita Mboshu Kongo, professora na Universidade Pontifícia Urbaniana, de Roma, que sublinhou a importância da educação como instrumento para combater o racismo.

“O racismo deve ser combatido com a formação da consciência”, afirmou a teóloga congolesa que pediu à Igreja “que se comprometa mais com a formação das religiosas para que possam ter uma formação adequada para o apostolado que lhes é pedido”.

A irmã Rita Mboshu Kongo salientou que a escola e a família são os principais sítios para perceber que a discriminação, especialmente a feminina, está errada e partilhou que como foi incentivada pelo pai a superar preconceitos.

Silvia Cataldi, da Universidade La Sapienza, em Roma, que moderou o webinar, explicou que a ciência demonstrou que as diferenças genéticas entre indivíduos são maiores do que as diferenças raciais entre grupos de pessoas.

A socióloga referiu também que o racismo está muitas vezes ligado ao sexismo e os dois termos andam de mãos dadas porque baseiam-se no mesmo mecanismo, generalizam um determinado grupo de pessoas, acabando por classificá-las, de uma forma genérica, como um todo único.

Silvia Cataldi também citou do Papa Francisco e destacou que na mais recente encíclica ‘Fratelli Tutti’: “O racismo é um vírus que muda facilmente e, em vez de desaparecer, dissimula-se mas está sempre à espreita”.

“Somos todos irmãos e irmãs, criados à imagem e semelhança de Deus”, disse os participantes do webinar informa o ‘Vatican News’.

CB/OC

 

 

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