O olhar da autora do símbolo da JMJ Lisboa 2023 sobre a vida dos jovens, dos idosos que vivem na solidão e sobre as perguntas que tantos fazem à Igreja e à procura «de Deus»

Foto: Agência ECCLESIA/MC

Lisboa, 22 set 2022 (Ecclesia) – Beatriz Roque Antunes, autora do símbolo das Jornadas Mundiais da Juventude Lisboa 2023, encara a realização do encontro como a oportunidade para refletir em temas do mundo de hoje que implicam os jovens na construção de novos caminhos.

“A guerra na Ucrânia, inflação a subir, a necessidade de conceber um novo modelo económico, as alterações climáticas e o que é pedido aos católicos para conceberem uma nova forma de relação económica. Espero que quando toda a juventude estiver reunida com o Papa estejamos atentos ao que ele diz – porque ele não fala por falar – e que isso possa interpelar a nossa oração e ação, e que não seja apenas um encontro”, explica a jovem de 26 anos à Agência ECCLESIA.

Nascida e crescida na cidade de Lisboa, Beatriz Roque Antunes foi acompanhando a transformações na capital, percebendo as “tensões em que os jovens vivem hoje”, mas também, fruto do seu crescimento próximo dos avós, ampliando o seu olhar para as dificuldades que os idosos enfrentam: “A vida está difícil para quem é velho”.

“Gostava que a mudança na cidade de Lisboa tivesse privilegiado mais as relações pessoais e que pudéssemos depender mais uns dos outros. Sempre tive sorte com os meus vizinhos. Os bairros onde residi são todos muito diferentes mas todos têm muitos idosos, que sofrem de solidão. Era bom que houvesse do ponto de vista institucional, mais projetos que apoiassem os idosos, com um maior sentido de comunidade”, indica.

Beatriz recorda marcas de ter participado num projeto de voluntariado «Amigos Improváveis», na cidade de Lisboa, onde durante alguns anos visitou, com a sua irmã, a Dona Marcolina, com quem estabeleceram uma relação de netas.

“Os meus pais nunca quiseram que eu e a minha irmã nos deslumbrássemos, que nunca perdêssemos a noção que há muitas pessoas que têm menos, que tudo o que temos é uma graça e pode mudar”, explica.

A Faculdade de Belas Artes, em Lisboa, foi um marco na sua vida, quer para consolidar a sua escolha profissional, mas também em termos de fé, porque naquele espaço era confrontada com a sua pertença religiosa.

“A Faculdade é um mundo onde se vive a liberdade, onde há camaradagem, muito espaço para as pessoas serem o que querem, há a procura de afirmação pelo choque. Há muito preconceito mas a minha convicção é que há procura espiritual. Os jovens têm preconceito em relação à fé e sobre quem acredita, como se a fé fosse sinal de menor inteligência”, indica.

Foto: Agência ECCLESIA/MC

Para uma jovem que sempre gostou de “falar de Deus” com os outros, as perguntas insistentes e provocatórias sobre a sua fé revelaram-se um processo de crescimento para Beatriz.

“Fui crescendo na minha abordagem: no início seria também mais violenta. Mas depois fui pegando nas perguntas, fui fazendo outras para perceber o que afasta uma pessoa da Igreja ou o que a leva a não acreditar. Ter essa noção ajuda-nos a construir uma Igreja melhor e que chegue a outros”, reconhece.

Beatriz Roque Antunes acredita que a JMJ Lisboa 2023 se destina também a todos os jovens parecidos com os seus antigos colegas de Belas Artes que a questionavam sobre Deus.

“A relação que a arte tem e pode ter com a oração e busca do transcendente, pode ajudar um artista, porque ele precisa que se fale sobre isso. O caminho da arte é essa procura. Uma conversa mais direcionada para a experiência artística, pode ser uma experiência que toque o coração de muitos jovens”, indica.

A situação dos jovens, a saúde mental e as perguntas que sempre inquietaram a fé de Beatriz Roque Antunes são temas abordados na conversa com a autora do símbolo da JMJ Lisboa 2023, pode ser acompanhada esta madrugada, depois da meia-noite, no Programa Ecclesia na Antena 1 da rádio pública, ficando disponível no portal de informação ou em formato podcast.

LS

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