Igreja/Sociedade: Nova coordenadora da LOC/MTC fala em «retrocesso» nas alterações ao código laboral

Fátima Pinto alerta ainda para precariedade digital, em novas formas de trabalho

Lisboa, 11 mar 2026 (Ecclesia) – A nova coordenadora nacional da Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos (LOC/MTC) classificou hoje as propostas de alteração ao código laboral como um retrocesso histórico.

“Consideramos estas alterações ao código laboral não um código para o século XXI, mas um autêntico retrocesso quase que para o século XX e, se calhar, nos últimos anos do século XX”, afirmou Fátima Pinto, em entrevista ao Programa ECCLESIA (RTP2).

A responsável considerou que as medidas previstas no anteprojeto “Trabalho 21”, do Governo português, representam uma ameaça aos direitos dos trabalhadores.

“O trabalho deve dignificar a pessoa, não amesquinhar ou prejudicá-la”, apontou.

O primeiro-ministro Luís Montenegro anunciou hoje que o Governo vai voltar a reunir-se com os parceiros sociais no início da próxima semana, para debater o pacote laboral.

Fátima Pinto sublinhou que a defesa da dignidade humana no mundo laboral é uma prioridade imediata para a LOC/MTC.

“É uma questão muito séria em que todos os direitos do trabalhador estão em causa e, portanto, interessa e mobiliza-nos muito, porque o trabalho tem de servir o homem”, declarou.

A análise à atualidade laboral centrou-se também no impacto das novas formas de precariedade, nomeadamente o isolamento sentido por quem atua através de plataformas digitais.

“Neste momento, os trabalhadores das plataformas não sabem bem para quem trabalham e isto é das situações mais frágeis, na relação laboral”, alertou a coordenadora nacional da Liga Operária Católica.

A dirigente destacou as dificuldades que as associações sindicais enfrentam para apoiar estes profissionais.

“É muito difícil até para as próprias organizações dos trabalhadores poderem chegar junto dos trabalhadores, porque agora trabalha-se individualmente”, acrescentou.

Para combater estas fragilidades, Fátima Pinto assumiu como prioridade o reforço da cooperação com a sociedade civil e com as restantes estruturas da Igreja Católica.

“É sempre possível trabalhar mais em conjunto, quer com a Igreja, quer até com as outras organizações de trabalhadores”, reconheceu.

A nova responsável assumiu o cargo na estrutura nacional após um percurso iniciado, aos 18 anos, na Juventude Operária Católica (JOC).

“Sempre dentro deste espírito de que estamos ao serviço de uma missão maior que nós, quando me desafiaram para aceitar integrar uma equipa nacional e a coordenação, naturalmente disse que sim, e cá estou, para dar corpo àquilo que o movimento sonha”, explicou.

A coordenadora vincou ainda que o trabalho da LOC/MTC será desenvolvido através de um modelo de gestão partilhada.

“Eu não vou fazer nada sozinha. Eu vou trabalhar em equipa com os meus colegas, com os militantes, em conjunto com o movimento”, concluiu Fátima Pinto.

HM/OC

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