Coordenador do Plano Nacional de Ética no Desporto pede fim de cultura de «guerrilha»

Foto: Lusa

Lisboa, 06 jun 2020 (Ecclesia) – O coordenador do Plano Nacional de Ética no Desporto (PNED) disse que após o confinamento provocado pela pandemia e o progressivo desconfinamento, é necessária “uma nova cultura desportiva”, superando a da “guerrilha”.

“Eu quero acreditar que esta ausência nos faz valorizar o que de melhor tem o desporto”, refere José Carlos Lima à Agência ECCLESIA.

O responsável considera que o estado de emergência, com a suspensão e cancelamento de várias atividades desportivas, mostrou que se vive “mais pobres” sem esta dimensão, que ajuda a valorizar a “relação”, na “alteridade” e “solicitude”.

“Nós só conseguimos ser felizes quando nos relacionamos e o desporto ensina-nos isso mesmo”, acrescenta.

José Carlos Lima sustenta que as dificuldades dos últimos meses criaram desafios e gerou “novos tipos de relações”.

“Esta pandemia criou imensos canais de ajuda, de estar com o outro”, observa.

Foto: Lusa

Para o coordenador do PNED, é preciso olhar para o desporto como “escola de superação”, em que se aprende com a vitória, mas sobretudo com a derrota.

“O desporto ensina-nos a melhor, a criar objetivos e a superar-nos, para sermos melhores”, prossegue.

O entrevistado do programa ‘70×7’ que é emitido este domingo (RTP2, 18h00) lamenta a hipervalorização das notícias negativas, “das claques, da violência”.

“É um desafio, do ponto de vista da reflexão, cristã também: por que é que o mal vende tão bem?”, questiona.

Para José Carlos Lima, “o desporto é mais do que isto”, porque estão em causa “valores, o respeito, o fair-play, a disciplina”

O PNED criou, neste sentido, o chamado “cartão branco”, para valorizar o que há de positivo no jogo, destacando ações dos vários intervenientes.

A certificação de boas práticas inclui ainda a “bandeira de ética”, para os clubes, promovendo o “desporto como fator educativo”.

“Os valores têm de ser treinados”, assinala o coordenador nacional

A ética indica-nos o caminho com princípios, com valores, e nós temos de exercitar de vier esses valores”.

Em 2018, o Vaticano publicou um documento sobre o desporto, ‘Dar o melhor de si’, numa reflexão que alerta para questões como a corrupção, doping, apostas e a falta de respeito pelos limites físicos dos atletas.

“O desporto também é um meio para a santificação da pessoa”, observa José Carlos Lima, para quem é necessário lembrar, perante os problemas da corrupção ou o do doping, a obrigação de “respeitar os limites” de cada um, também no respeito pela “verdade”.

Questionado sobre a importância de recuperar a dimensão primordial do jogo, o coordenador do PNED destaca que “a utilidade do jogo é simplesmente jogar, divertir-se, a dimensão lúdica”.

A entrevista aborda ainda a criação, na Universidade Católica Portuguesa, da Cátedra Manuel Sérgio ‘Desporto, Ética e Transcendência’, em parceria com o IDPJ, para promover uma reflexão que nem sempre tem sido apoiada, neste campo.

“O desporto é um fenómeno cultural fantástico, universal”, assinala José Carlos Lima.

OC

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