Igreja/Sociedade: Diretora da Obra Católica Portuguesa de Migrações reforça «apelo de responsabilidade a vários níveis» no acolhimento de migrantes e refugiados

Eugénia Quaresma assinalou que há «crianças migrantes a chegar às paróquias», e que, neste início da catequese, têm se acolhidas, «é uma obrigação não deixar estas crianças à parte»

Lisboa, 25 set 2026 (Ecclesia) – A diretora da Obra Católica Portuguesa de Migrações (OCPM) incentivou ao acolhimento, atenção e integração dos migrantes e refugiados nas comunidades, em particular dos menores, no contexto do dia mundial que se assinala no próximo domigo.

“É interessante, que o Papa diz-nos há um apelo de responsabilidade a vários níveis: Ao nível pessoal, esta capacidade pessoal de estar atento, de ouvir, de escutar histórias e casos concretos, de nos aproximarmos com um olhar cristão, com um olhar de proximidade. Há um nível eclesial, e aqui é um apelo muito concreto às comunidades para serem comunidades de acolhimento, e não que ponham à parte”, disse Eugénia Quaresma, em entrevista à Agência ECCLESIA.

A diretora da OCPM, obra da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), sublinhou que o acolhimento de migrantes e refugiados não pode ser “uma tarefa só das instituições” que estão vocacionadas para essa realidade, as comunidades também têm responsabilidade, “porque não é só a questão da emergência”.

“Temos crianças migrantes a chegar às nossas paróquias, estamos a iniciar a catequese, há um acolhimento que se faz, e que é uma obrigação nossa não deixar estas crianças à parte. E não deixar que quem já domina o grupo ponha estas crianças, que chegam pela primeira vez, à parte”, acrescentou Eugénia Quaresma, salientando que pode existir uma fronteira da parte de quem recebe e “dificuldade da parte de quem chega”.

Foto: Vatican Media; Papa Leão XIV em Tenerife, na recente visita à Espanha

O Papa Leão XIV alertou para os crimes que atingem os menores, como o tráfico humano, o recrutamento para conflitos armados e a violência sexual, na mensagem ‘Mesmo uma só destas crianças’, para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado 2026, lançada em agosto.

A diretora da Obra Católica Portuguesa de Migrações lembrou a situação de Ceuta, território espanhol no norte de África, onde serão mais de 2 mil menores desacompanhados, após as recentes vagas migratórias afirmando que uma forma muito concreta “é estar atento precisamente a esta vulnerabilidade pela idade”.

“Quando em agosto nós ouvimos falar daquele primeiro número gigante a chegar, uma das notícias que me chamou a atenção foi da comunidade que estava a cuidar dos menores”, lembrou a entrevistada, que identificou várias causas de vulnerabilidade também referidas pelo Papa na mensagem.

“Havia o risco da violência, nomeadamente a violência sobre as meninas, havia o risco de maus tratos, de pessoas mal-intencionadas, que agridem, e há o risco do tráfico também, por estarem desacompanhadas, por serem menores, estão mais suscetíveis”, desenvolveu, sem esquecer do “recrutamento para a guerra dos meninos soldados”, que em alguns países africanos é uma realidade, mas “se calhar está longe da realidade portuguesa”.

No contexto português, a diretora da OCPM lamentou na questão do “reagrupamento familiar” que não se ouve falar “das crianças que estão do outro lado a chorar”, considerando “certo” que os pais tenham condições para chamar os filhos.

“A criança, quando é amada pelos seus pais, não é tão importante para ela essas condições, vamos construir estas condições juntos. Percebemos este tempo, mas também é preciso auscultar o outro lado; há que haver esta articulação a nível das leis para que o interesse da criança seja salvaguardado, desde o país de origem até o país de destino”, assinalou Eugénia Quaresma, no Programa ECCLESIA emitido esta quinta-feira na RTP2.

Cartaz: Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral (Santa Sé)

A entrevistada destacou ainda que três dioceses em Portugal “têm um programa bonito que envolve as crianças”, neste Dia Mundial do Migrante e do Refugiado – Coimbra, Algarve, e Setúbal -, e refere que a OCPM espera “é que neste domingo as paróquias deem um especial destaque às crianças, um especial destaque a esta mensagem”.

Leão XIV apelou à proteção dos menores migrantes e refugiados, projetando a celebração do 112.º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado (27 de setembro), esta quarta-feira, no final da audiência pública semanal, na Praça de São Pedro.

PR/CB/OC

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