Igreja/Algarve: Comunidade de língua inglesa em Tavira «está a crescer» e acolhe com «alegria» o novo bispo, a quem pede apoio

D. Manuel António dos Santos fala em grupo «muito interessante» que se integrou de tal forma na vida da paróquia que atualmente está a apoiar obras de restauro

Foto: Agência ECCLESIA/LJ, Igreja de Santiago (Tavira)

Algarve, 26 set 2026 (Ecclesia) – A comunidade de língua inglesa que participa na vida da Igreja Católica em Tavira “está a crescer”, diz Kathy Sanders, um dos elementos deste grupo, que pede ao novo bispo do Algarve a manutenção do apoio a estes cidadãos estrangeiros.

“Continue a apoiar a comunidade inglesa. Está a crescer. E não só aqui em Tavira. Sei que há algumas outras Missas e que vai haver cada vez mais ingleses ou americanos. Por isso, por favor, apoiem-nos”, apelou, em declarações à Agência ECCLESIA.

A viver em Portugal desde dezembro de 2020, Kathy Sanders conta que, quando ao Algarve, durante a Covid-19, não havia Missas em inglês e que foi questionando o padre Miguel Neto, pároco de Santa Maria de Tavira e Santiago de Tavira, com o intuito de que isso mudasse.

“Continuámos a perguntar e ele acabou por começar. Acho que éramos quatro na primeira Missa em inglês, e ele mandou-nos subir todos ao altar. E assim celebrámos a missa ali mesmo, e foi muito especial, mas a comunidade cresceu muito desde então. É maravilhoso ver como a comunidade está grande agora”, expressou.

Rob de Santos mudou-se para o Algarve há quatro anos e meio, depois de ter visitado Tavira uns anos antes quando estava à procura de outro país para viver, tendo-se apaixonada pela região onde agora mora.

“E conheci alguém na cidade que me disse que iam celebrar Missas em Santiago. Por isso, no primeiro dia em que vim, cheguei à hora errada. Mas na semana seguinte voltei e lá estava o padre Miguel, que tinha um acólito e nós os quatro”, lembra.

Sobre a chegada de um novo bispo ao Algarve, que tomou posse canónica no sábado, a comunidade de língua inglesa recebe a novidade com entusiamo.

Rob de Santos

“Acolhemos com grande alegria a chegada do novo bispo. E penso que, quando uma diocese recebe um novo bispo, é um bom momento para todos dedicarem alguns minutos a refletir sobre a Igreja e a forma como nos envolvemos nela”, disse Rob dos Santos.

Este membro da comunidade inglesa em Tavira deseja que D. Vitorino Soares “tenha muito sucesso” no ministério episcopal na região mais a sul do país..

“Quando cheguei aqui, havia muito poucas missas em inglês, muito poucas comunidades. Mas agora, como sabem, em todo o Algarve, há frequentemente cinco ou seis missas em inglês num fim de semana. E isto é apenas um exemplo de como as coisas cresceram. Por isso, queremos trabalhar de todas as formas possíveis para ajudar da melhor maneira o bispo na sua missão”, acrescentou.

O bispo emérito de São Tomé e Príncipe, que está ao serviço das paróquias de Tavira, destaca que esta é uma comunidade “muito interessante”, “que não se limitou apenas a fazer da igreja um lugar onde vem celebrar a liturgia ao domingo” e “quis integrar-se” na vida da paróquia.

“Empenharam-se, por exemplo, em obras de restauro. Temos aqui esta porta da igreja [de Santiago] que foram eles que se empenharam nisso, estão aqui a restaurar o centro pastoral”, indicou D. Manuel António dos Santos, em declarações à Agência ECCLESIA.

O responsável católico adianta ainda que a comunidade de língua inglesa é também sensível às preocupações sociais, tendo criado “um grupo de pessoas para serviços de apoio aos mais pobres”.

“Já estiveram a fazer alguns trabalhos até aí num lar da terceira idade, têm colaborado com as conferências vicentinas. Portanto, é uma comunidade, de facto, muito interessante e que tem um número já também apreciável de pessoas”, reforçou.

Segundo o bispo, a Missa em inglês, promovida na igreja de Santiago às 10h15, regista uma assembleia de cerca de 100 pessoas.

“Quando são os tempos fortes, procuramos proporcionar à comunidade também algumas celebrações próprias para eles, como é, por exemplo, a Via Sacra em inglês e alguma celebração mais, mesmo no dia de algo especial para eles, também procuramos estar atentos a isso”, relatou.

D. Manuel António dos Santos salienta que o facto de “conhecer várias línguas” lhe permite “entrar em diálogo” com diferentes comunidades, “conversar em inglês, francês, italiano e espanhol”, permitindo que imigrantes “encontrem acolhimento” e tenham a oportunidade de “apresentar os seus pecados” e se “reconciliarem”.

“Aí quase que fazia o apelo aos sacerdotes que se empenhassem em conhecer línguas”, pediu.

Kathy Sanders

Kathy Sanders destaca a participação na vida da igreja como um fator de integração em Portugal: “Conheci muitas pessoas através da paróquia, tanto de língua inglesa como portuguesa. E agora considero-as as minhas amigas mais próximas. É maravilhoso ter esta família”.

Também Rob de Santos partilha a mesma experiência, indicando que, “como alguém que só se tornou católico já na idade adulta”, sempre foi importante para si envolver-se “na paróquia que frequentava”.

“Quando vim para cá, vi que não era diferente. Muito do que faço gira em torno da minha vida na igreja. Além disso, vim para cá para fazer parte da comunidade, não apenas para ser um visitante ou um residente temporário. Mudei-me para cá e esta é a minha casa agora.”

O bispo emérito de São Tomé e Príncipe defende que é necessário “tomar a consciência de que hoje Portugal é um país multicultural” e que a “presença de imigrantes, estrangeiros, de refugiados, encontra-se um pouco por todo lado”.

“Aqui em Tavira só tenho pena que a comunidade inglesa, sim, tenha aqui um marco, mas que haja aí outros grupos como africanos, brasileiros, que nós não sentimos tanta presença”, realçou.

Nesse sentido, D. Manuel António dos Santos faz um apelo ao novo bispo do Algarve, D. Vitorino Soares: “Que olhemos para a realidade multicultural que neste momento representa o Algarve e que encontremos meios de acolhermos nas nossas comunidades essas pessoas vindas de fora”.

“E de irmos também ao seu encontro para os ouvirmos, para escutarmos, de modo a podermos também dar-lhes o apoio que eles necessitam e eles encontrarem na Igreja um lugar onde podem continuar a viver, a ter uma vida digna”, desenvolveu.

A tomada de posse canónica do bispo do Algarve, D. Vitorino Soares, e a transformação demográfica, cultural e social da diocese vão estar no centro do programa 70×7 que é transmitido este domingo na RTP2 (12h48).

LJ/OC

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