Bispo de Portalegre-Castelo Branco questiona inseminação artificial post-mortem e legalização da eutanásia

Parlamento

Foto: Lusa

Portalegre, 22 fev 2021 (Ecclesia) – O bispo de Portalegre-Castelo Branco acusou o Parlamento o de querer estar “na linha da frente em causas fraturantes” para disfarçar os problemas do país, particularmente a crise provocada pela pandemia.

“É a forma encontrada pelo Estado para se esquecer das verdadeiras mazelas sociais e se devotar à promoção da cultura da morte e dar nas vistas, pelas piores razões”, escreve D. Antonino Dias, na sua coluna semanal de opinião, publicada online.

O responsável católico manifesta-se contra a legalização da inseminação artificial post-mortem, alertando para as consequências, sobre os filhos, da lei aprovada na generalidade em outubro de 2020.

“É estranho que, para satisfazer desejos pessoais, por mais respeitáveis que eles sejam, o Estado, não satisfeito com os filhos órfãos de pais vivos, queira ser causador do nascimento de filhos órfãos por inseminação ‘post-mortem’, desvalorizando todas as consequências e o direito de todas as crianças a ter um pai e uma mãe, em comunidade familiar de vida e amor”, indica.

A permissão de inseminação com sémen após morte do marido dador aprovada na generalidade pela Assembleia da República, a 23 de outubro de 2020, com votos contra do PSD e do CDS.

“Tendo em atenção o caso que provocou este debate, alguém insinua que uma criança assim concebida, é mais olhada como instrumento e remédio para satisfazer o sofrimento saudosista de alguém, mesmo que compreensível, do que considerada como um valor em si mesma. O dever do Estado é cuidar do bem comum, não de casos pontuais fruto de meros sentimentos de alguém”, apela o bispo de Portalegre-Castelo Branco.

Os projetos de lei de um grupo de 95 mil cidadãos, do PS, do BE e do PCP estão agora em discussão, na especialidade.

Segundo D. Antonino Dias, esta decisão ultrapassa “linhas vermelhas que interpelam pela negativa”, criticando ainda a recente legalização da eutanásia em Portugal.

“Acho estranho que, no século XXI, o Estado, em nome do progresso civilizacional, ainda se sinta no direito e dever de fomentar a cultura da morte em vez de garantir o necessário apoio para que cada pessoa se sinta estimada e cuidada até à morte e morte natural”, adverte.

Para o bispo, é inadmissível “matar através do Serviço Nacional de Saúde”.

“Sendo a política uma arte nobre que deve ser exercida com nobreza, é estranho que, os representantes do povo, uma vez eleitos, se tenham logo como omniscientes e omnipotentes, desprezando até a ciência e os mais elementares princípios da Ética e do próprio bom senso ou do senso comum”, lamenta.

O bispo de Portalegre-Castelo Branco critica os deputados por ignorarem os pareceres negativos “do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, do Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida, assim como de professores universitários, juristas, Associação de médicos, especialistas em bioética” ou de outras entidades.

“Ninguém vai pedir aos senhores parlamentares que entrem num processo de metanoia. Até porque, se pararem, refletirem e tiverem como referência a verdade e o bem comum, a sua consciência o fará. Apenas lhes pedimos que não esqueçam os verdadeiros problemas do povo que neles confiou e a quem prometeram servir”, apela.

OC

Redação corrigida às 21h03

 

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