Irmão Vitor Lameiras disse que vão abrir 126 camas em cuidados continuados, paliativos e demências

Agência Ecclesia/HM

Lisboa, 21 nov 2019 (Ecclesia) – O provincial da Ordem Hospitaleira em Portugal disse que se torna mais urgente falar do investimento em estruturas de apoio à vida para proporcionar “condições de bem-estar”, quando o tema da eutanásia volta ao debate partidário.

“Perante pessoas que vivem uma situação limite de doença e de fragilidade social, acredito que ninguém falaria em eutanásia se tivesse na sua vida as condições de bem-estar asseguradas”, afirmou hoje o irmão Vítor Lameiras, à margem de um Congresso de Cuidados Continuados e Paliativos.

Em declarações à Agência ECCLESIA, o responsável destaca que a Ordem Hospitaleira de S. João de Deus está a construir uma nova unidade hospitalar para cuidados continuados, paliativos e resposta às demências e “as portas deverão abrir dentro de ano e meio”.

Um projeto, em parceria com a Câmara Municipal de Oeiras, que vai ter 126 camas para as diversas valências – cuidados continuados, paliativos, demências -, 60 a 70% das camas vão estar disponíveis para a contratualizar com as redes nacionais de cuidados continuados e paliativos.

“Gostaríamos de contratualizar com o Estado camas para demências, que é atualmente uma área premente”, disse o irmão Vítor Lameiras.

O provincial da Ordem Hospitaleira está consciente dos tempos difíceis que o Estado social atravessa, alerta que não poder haver uma medicina rica e outra pobre, e assinala que têm de “ter uma área privada onde, seguindo a melhor tradição de S. João de Deus, aqueles que têm mais podem ajudar os que têm menos”.

“Quando há dinheiro para um medicamento que custa milhões para salvar uma criança, tem de haver também respostas na área da saúde mental que permitam que a rede nacional de cuidados continuados integrados de saúde mental vá para a frente, pois é uma rede que está praticamente estagnada”, desenvolveu.

‘Investir no Futuro’ é o tema do segundo Congresso de Cuidados Continuados e Paliativos, hoje e esta sexta-feira, na Clínica de S. João d’Ávila, em Lisboa.

O diretor da Clínica de S. João de Ávila, Nuno Lopes, destacou que o Instituto de S. João de Deus “teve a primeira unidade de cuidados continuados do país” e, como pioneiro, “tem também a responsabilidade de promover estes encontros científicos que divulgam as boas práticas”.

A médica e política Ana Jorge falou do futuro dos cuidados continuados em Portugal, reconhecendo que as parcerias são fundamentais nesta matéria.

A antiga ministra da Saúde chamou a atenção para o facto de não poder haver diferença na qualidade dos serviços prestados a quem ocupa camas privadas ou quem está na rede nacional.

A intervenção de Ana Jorge contou com a moderação de Luís Pisco, o presidente da ARS de Lisboa e Vale do Tejo que fez questão de sublinhar a qualidade das parcerias que o Estado tem mantido com a Ordem Hospitaleira de S. João de Deus que considera “um parceiro antigo, confiável e pelo qual temos o maior apreço”.

Segundo o programa do congresso, esta sexta-feira, vão apresentar os resultados do ‘Programa Humaniza’, que permitiu a criação de 10 de equipas de apoio psicossocial a nível nacional, com a presença de Xavier Gomés-Batiste, catedrático de Cuidados Paliativos da Universidade de Vic, Barcelona e ex-acessor da Organização Mundial de Saúde, e da diretora da área de pobreza e saúde da Fundação «la Caixa», Montse Buisan.

HM/CB

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