Igreja/Saúde Mental: Ordem Hospitaleira promove voluntariado jovem para superar «estigma»

Padre Alberto Mendes fala em «vírus da hospitalidade» que contagia novas gerações em missões de serviço ao próximo

Foto: Juventude Hospitaleira

Lisboa, 13 julho 2026 (Ecclesia) – O coordenador da Pastoral Juvenil e Vocacional da Ordem Hospitaleira, padre Alberto Mendes, considera que a hospitalidade “é um vírus” contagiante e que “vai aumentando”.

“Os grupos que vêm das escolas e das paróquias levam essa experiência para os seus locais e contagiam outros, pode-se dizer que este é o vírus da hospitalidade, um vírus que se vai contagiando a outro e vai aumentando”, disse o padre Alberto Mendes à ECCLESIA.

Durante o mês de julho e agosto, a Ordem Hospitaleira de São João de Deus proporciona campos de férias para jovens que queiram ter um contato mais próximo com a saúde mental.

A Juventude Hospitaleira começa por “tentar quebrar o estigma que existe à volta da doença mental e nada melhor do que começar com a juventude” por isso “vem e vê”, salienta a jovem hospitaleira Beatriz Zacarias.

Esta jovem hospitaleira fez a sua primeira experiência em 2018 e “nunca mais” deixou de fazer voluntariado com as irmãs hospitaleiras e conta com uma experiência de nove meses em Maputo, Moçambique.

“É muito diferente daquilo que estava habituada, mas também foi uma experiência completamente enriquecedora”, relatou Beatriz Zacarias ao Programa ECCLESIA emitido, esta segunda-feira, na RTP2

O padre Alberto Mendes era seminarista na Diocese do Porto, mas ao fazer um campo de férias na Casa de Saúde do Telhal a sua vida alterou-se.

“A partir daí foi uma paixão pelo carisma da hospitalidade, não foi deixar de seguir o caminho, mas foi uma mudança para a hospitalidade”, disse.

Aquelas férias transformaram a vida deste padre, uma forma mais prática “de servir a Deus e de dar a vida pelos outros”, acrescentou.

Beatriz Zacarias confessa que o primeiro contato com os utentes das casas hospitaleiras causou “algum medo” porque são pessoas “consideradas diferentes”, com quem “não se tem tanto contato no dia-a-dia”.

Os próprios utentes acabam por “chegar mais facilmente a nós do que nós a eles, então facilita muito mais a ligação”, garantiu a jovem voluntária.

Quando fez o seu primeiro campo de férias, o coordenador da Pastoral Juvenil e Vocacional da Ordem Hospitaleira teve logo um episódio “caricato” com alguns doentes “mais cómicos”, mas “passado um dia ou dois, já estávamos quase todos em família, e já tinha passado esse medo que existia no início”, afirmou.

“Percebi que havia ali alguma coisa muito diferente que me tocava e que era uma opção de vida”, sublinhou o sacerdote.

A mudança de paradigma para ultrapassar o estigma da doença mental “passa pelas experiências práticas”.

“Uma coisa é ir à paróquia ou a uma escola e falar do assunto outra coisa é quando os jovens vêm até nós e experimentam esta realidade”, salienta.

“Eles adoram a companhia, vêm falar connosco e fazer perguntas”, por isso “acaba por se tornar espontâneo, não há muita dificuldade”, completa Beatriz Zacarias.

PR/LFS/OC

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