Grupo nasceu na Diocese do Porto, em 2013, e já está no Patriarcado de Lisboa e na Arquidiocese de Braga

 

Lisboa, 14 fev 2019 (Ecclesia) – Vasco Mina é membro da comunidade de Lisboa do Grupo ‘Ao 3.º dia’ e explica que a missão deste grupo é “ajudar as pessoas a procurar luz e sentido” no contexto da doença e incluem também quem faz esse acompanhamento.

“Em grupo ajudamo-nos, há sempre um primeiro momento que é do choque e é preciso passar para o da aceitação e o da procura de viver bem com esta realidade. Não vivemos sozinhos, somos parte de uma comunidade e é pela partilha e interajuda que conseguimos caminhar melhor”, disse à Agência ECCLESIA.

Vasco Mina assinala que a doença “faz parte da vida”, mas é preciso “dar sentido a tudo” e “não é fácil” e no grupo, a partir dos diversos encontros, formam “comunidades” e ajudam-se para além das reuniões e dos momentos de oração.

“Porquê justamente a mim é a primeira pergunta e é preciso dar resposta”, refere o entrevistado que é “portador de linfoma e mais recentemente de uma leucemia”.

Recordando que a “revolta com a situação é normal”, Vasco Mina conta que quando a leucemia “apareceu” já tinha “o assunto do linfoma encerrado” e saiu do seu trabalho para o hospital “a pensar que era uma gripe”.

O nome do grupo, ‘Ao 3º Dia’, não é apenas um paralelismo com a “ressurreição, o despertar dos discípulos de Cristo”, mas uma caminhada que começa no primeiro dia que “é do choque”, depois, no segundo, são “confrontados com a importância de procurar caminho”, de “querer fazer caminho”.

“Ao terceiro dia começamos a caminhar; essa é a missão deste grupo, ajudar as pessoas a procurar luz e sentido”, acrescenta Vasco Mina.

O grupo “é aberto”, ou seja, explica o entrevistado, não acolhem “apenas pessoas que padecem de doenças crónicas ou graves” mas “todas as pessoas”, também as que as acompanham, isto é, os cuidadores formais e informais, os médicos e enfermeiros, os psicólogos, os sacerdotes.

“Um grupo de cristãos que procuram viver bem as suas vidas, muito virado para o acolhimento, há interajuda e acompanhamento mútuo das situações”, salientou.

O primeiro encontro do grupo aconteceu a 9 de abril de 2013, no Porto, neste momento, já existe comunidade em Lisboa, desde 2017, e em Braga desde 2018.

“Encontramo-nos mensalmente para partilhar as nossas vidas, começamos sempre com a partilha da alegria do dia, mesmo nos momentos mais difíceis há sempre algo que nos dá alegria”, destaca Vasco Mina.

As atividades passam também pelas orações “ao entardecer” nos hospitais, nomeadamente no São João e no Santa Maria, respetivamente no Porto e em Lisboa, e ciclos de conversas.

O grupo ‘Ao 3.º dia’ foi fundado por Mariana Abranches Pinto que durante a sua doença oncológica sentiu necessidade de pertencer a um grupo e partilhar vivência e as interrogações sobre o sentido do sofrimento numa perspetiva cristã.

A Igreja Católica assinala o 27.º Dia Mundial do Doente, esta segunda-feira, memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes (França).

O Papa Francisco escreveu uma mensagem a partir do tema bíblico “Recebestes de graça, dai de graça” para a data que foi instituído pelo Papa São João Paulo II a 11 de fevereiro de 1992.

CB/OC

Especial: Viver a fé perante a doença

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