Igreja/Portugal: «Não defendo uma sociedade balizada entre uma pílula do dia seguinte e uma pílula do último dia» – D. Américo Aguiar

 Novo responsável do setor da vida na Conferência Episcopal Portuguesa destaca «temática muito importante», que fala «do aborto, da eutanásia, da dignidade da pessoa humana»

Foto Agência ECCLESIA/TAM

Santarém, 20 jun 2026 (Ecclesia) – O presidente da Comissão Episcopal Laicado, Família e Vida rejeitou enquadramentos legislativos balizados por uma “proposta fechada do aborto” e uma “proposta fechada da eutanásia”.

“Eu, pessoalmente, com todo respeito por quem pensa diferente, não defendo, nem aprecio, nem quero para o meu país uma sociedade que fica enclaustrada, que fica balizada entre uma pílula do dia seguinte e uma pílula do último dia. Ou seja, entre a proposta fechada do aborto e a proposta fechada da eutanásia”, afirmou o cardeal D. Américo Aguiar.

“Esta área da vida, que agora é assumida no próprio nome da comissão que não tinha, é uma temática muito importante. Estamos a falar do aborto, estamos a falar da eutanásia, estamos a falar da dignidade da pessoa humana, e estamos a falar de temáticas muito sensíveis”, disse D. Américo Aguiar, esta sexta-feira, em declarações à Agência ECCLESIA, à margem do Conselho Nacional da Pastoral Juvenil (CNPJ), que está reunido em Santarém.

O novo presidente da Comissão Episcopal Laicado, Família e Vida – um organismo da Igreja Católica em Portugal que acompanha também a Pastoral Universitária, juventude, a família, movimentos e obras – foi eleito na assembleia plenária de abril e disse que “é necessário que quer os crentes, quer os não-crentes, possam ter a possibilidade de entender” quais é que são as posições deste organismo, da Igreja em Portugal, “em relação a estas temáticas tão fraturantes e tão dolorosas”

O cardeal português, bispo de Setúbal, recordou que o Papa Leão XIV, “de uma forma extraordinariamente impecável, falou, sem papas na língua, sem qualquer complexo”, da posição da Igreja Católica em relação “a estas temáticas tão sensíveis na sociedade”, no Parlamento Espanhol, aos membros do Congresso dos Deputados e do Senado, reunidos numa sessão conjunta, em Madrid, durante a sua visita apostólica ao país, de 6 a 12 de junho.

Foto Arlindo Homem, Caminhada pela Vida, Lisboa 2026

Neste sentido, o presidente da Comissão Episcopal Laicado, Família e Vida afirma que têm de “fazer tudo” o que está ao seu alcance para que qualquer pessoa que se coloque, ou que seja colocada, “na situação de refletir sobre ‘sim’ ao aborto, ou ‘sim’ à eutanásia, tenha “todas as condições à sua volta para dizer que sim à vida”.

“Eu dou graças a Deus por tantos homens, por tantas mulheres, por tantas associações, por tanta gente que, no nosso país e no mundo inteiro, não baixa os braços, não baixa o empenho, para que seja uma realidade que uma mulher não se sinta constrangida, obrigada, ou limitada a ter um filho, e dizer ‘sim’ ao aborto”, acrescentou.

D. Américo Aguiar foi eleito para presidir à Comissão Episcopal Laicado, Família e Vida, na 214.ª Assembleia Plenária da CEP, em abril deste ano, e, esta quarta-feira, 17 de junho, após a Assembleia Plenária extraordinária (2115.ª), divulgou que esta equipa é constituída por D. Manuel Linda (Porto), com a tutela da Pastoral Universitária, D. José Miguel Pereira (Guarda), com a Pastoral Familiar, D. António Couto (Lamego), com a tutela da Pastoral da Vida, e D. Joaquim Mendes (bispo emérito de Lisboa), com os Movimentos e Obras Laicais.

O presidente da comissão, bispo de Setúbal, ficou com a responsabilidade de acompanhar a Pastoral dos Jovens e do CNE, o Corpo Nacional de Escutas – Escutismo Católica, e explicou que vão “dar continuidade ao trabalho que outros irmãos bispos concretizaram ao longo do tempo”.

Foto Agência ECCLESIA/PR

“Todos estes bispos acompanharão todas as áreas. Nós vamos dar continuidade ao trabalho, e vamos também tentar entender o que é que o Espírito Santo sopra naquilo que são estas temáticas tão importantes para a Igreja, estarmos sintonizados com aquilo que o Dicastério para o Laicado, Família e Vida em Roma faz e propõe. E tentarmos que Portugal e a Igreja em Portugal, as dioceses portuguesas, possam ter o maior número de subsídios, de ajudas e de partilhas para que cada cristão possa participar e possa aprofundar aquilo que é a sua vida”, acrescentou à Agência ECCLESIA.

“Os responsáveis mais operacionais” da Comissão Episcopal do Laicado, Família e Vida são os leigos Isabel Figueiredo, como secretária, e José Cruz, diretor do Secretariado Nacional do Apostolado dos Leigos e da Família (SNALF).

CB/PR

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