Vaticano: Autoridade de Informação Financeira revela aumento de registos de «atividades suspeitas»

Novo relatório destaca impacto de crises humanitárias

Foto: Agência ECCLESIA/OC

Cidade do Vaticano, 30 abr 2026 (Ecclesia) – A Autoridade de Supervisão e Informação Financeira (ASIF) do Vaticano divulgou hoje o relatório anual de 2025 sobre o sistema de combate ao branqueamento de capitais, registando 78 relatórios de atividades suspeitas, um aumento de 80% face ao ano anterior.

O documento, enviado aos jornalistas, justifica esta subida com a eficácia e afinação dos mecanismos de deteção do Instituto para as Obras de Religião (IOR), conhecido como o ‘Banco do Vaticano’, de onde partiram 73 dos alertas, e com “eventos extraordinários” que marcaram a vida da Igreja Católica durante o último ano, como a morte de Francisco, a eleição de Leão XIV e a celebração do Jubileu.

Na sequência das análises de inteligência financeira, a ASIF determinou a suspensão preventiva de três transações, num valor total de 522 mil euros, precisando que as operações consistiam em transferências de contas do IOR para países terceiros com indícios de potenciais esquemas de branqueamento de capitais.

No âmbito da cooperação com a Justiça, a autoridade de supervisão remeteu 16 relatórios ao Gabinete do Promotor de Justiça (Vaticano); três relatórios iniciais resultaram na abertura direta de novos inquéritos judiciais.

O relatório da ASIF destaca ainda um pico de comunicações (73 no total) referentes a operações com jurisdições consideradas de “alto risco” geográfico.

A autoridade esclarece que este aumento se deveu quase exclusivamente ao “fator Myanmar”, traduzindo as transferências efetuadas por entidades da Igreja Católica para acudir à grave crise humanitária e aos sismos que atingiram aquele país asiático no início de 2025.

Após análise detalhada, a ASIF autorizou 71 dessas 73 operações humanitárias.

A nível estrutural, a terceira atualização da Avaliação Geral de Risco do Vaticano, aprovada em dezembro, confirmou que o risco de branqueamento de capitais no Estado se mantém num nível “médio-baixo”, enquanto o risco de financiamento do terrorismo permanece “baixo”.

O documento assinala a assinatura de nove novos memorandos de entendimento com congéneres de inteligência financeira estrangeiras e 35 trocas de informação, no plano internacional.

No controlo de fronteiras do Estado, a Gendarmaria do Vaticano registou 196 declarações de entrada de numerário (cerca de 13,6 milhões de euros), cuja maioria resulta do “normal funcionamento” das autoridades públicas do Estado, e 328 declarações de saída (cerca de 5,1 milhões de euros).

A ASIF desempenha, no Vaticano, as funções de informação e supervisão financeira, tanto para fins de prevenção quanto para o combate à lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo; foi estabelecida por Bento XVI em 2010 e consolidou o seu mandato institucional em 2013, quando o Papa Francisco lhe atribuiu mandato para realizar supervisão prudencial.

OC

 

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