Igreja/Portugal: Conferência dos Institutos Religiosos compromete-se com apoio a vítimas de abusos sexuais

CIRP elege nova direção, com presidência da irmã Ângela Coelho

Na foto da esquerda para a direita: Frei José Quintã Pereira, Irmã Célia Cabecinhas, Irmã Ângela Coelho, Padre Pedro Guimarães e Irmã Paula Carneiro

Fátima, 29 abr 2026 (Ecclesia) – A Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal (CIRP) elegeu uma nova direção e reafirmou o compromisso de apoio às vítimas de abusos sexuais, após uma Assembleia Geral que decorreu entre segunda e terça-feira.

“Estando a terminar o processo de compensações financeiras iniciado em conjunto pela CEP e pela CIRP, e conscientes de que nenhum valor pago apagará a dor de quem sofreu tão duras vivências, a Assembleia afirmou a necessidade de continuar a prosseguir o compromisso de acolhimento e acompanhamento às vítimas”, assinala o comunicado final do encontro, enviado à Agência ECCLESIA.

A CIRP assume a importância de investir em “ações de formação, prevenção e capacitação dos agentes pastorais, de forma que seja possível consolidar práticas que sustentem uma efetiva cultura de proteção e cuidado”.

Durante os trabalhos, que decorreram em Fátima, os participantes elegeram a irmã Ângela Coelho como presidente do organismo, para o triénio 2026-2029.

A recém-eleita presidente interveio no encontro para perspetivar a missão da nova equipa dirigente perante a sociedade, sublinhando a “dimensão profética da Vida Consagrada na tarefa da reconciliação e da paz”.

Segundo o comunicado final, a responsável “reafirmou o empenho da CIRP na formação individual e comunitária, a fim de que a Vida Consagrada proporcione ambientes seguros àqueles a quem serve”.

A sessão plenária dedicou o seu primeiro dia à formação sobre o tema da secularização contemporânea, abordando os contornos da fé na atualidade.

“Num contexto de ‘fé líquida’, surge o paradoxo: ao mesmo tempo que se verifica um afastamento da Igreja e uma diminuição da prática religiosa, permanece uma busca espiritual, sinal de que Deus continua presente no coração do ser humano”, indica a CIRP.

Os religiosos propõem uma alteração da estratégia pastoral das comunidades católicas para ir ao encontro das populações.

Trata-se de passar de uma lógica de ocupação de espaços para uma presença encarnada, feita de proximidade, relação e encontro com cada pessoa concreta”.

A reflexão conjunta evidenciou a urgência de criar projetos transversais aos vários institutos para dar resposta a realidades sociais prementes.

“As propostas apresentadas em plenário convergiram na necessidade de reforçar a comunhão e a sinodalidade na vida consagrada, promovendo uma maior articulação entre os Institutos Religiosos e a criação de projetos conjuntos que respondam, de forma integrada, aos desafios do envelhecimento, das migrações e da diversidade cultural”, pode ler-se.

A nova direção da CIRP integra o padre Pedro Guimarães como vice-presidente; são vogais a irmã Célia Cabecinhas, a irmã Paula  Carneiro e frei José Quintã Pereira.

A Assembleia Geral reuniu cerca de 170 participantes e registou a presença do núncio apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa Coso.

OC

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