Igreja/Portugal: Arcebispo de Braga defende urgência da educação litúrgica

50.º Encontro Nacional decorre em Fátima

Fotos: Secretariado Nacional da Liturgia

Fátima, 28 jul 2026 (Ecclesia) – O arcebispo de Braga defendeu esta segunda-feira que a Liturgia constitui a “primeira escola da fé” e uma dimensão decisiva da vida cristã.

“A Liturgia não é rito, nem mera execução de rubricas, mas ethos e, fundamentalmente uma arte da ação”, afirmou D. José Cordeiro, na abertura do 50.º Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica (ENPL), em Fátima.

O presidente da Comissão Episcopal da Liturgia e Espiritualidade sublinhou que educar para a participação exige “rigor teológico e sensibilidade pastoral” para transformar os ritos e as orações em elementos “verdadeiramente comunicativos”.

O arcebispo primaz recuperou a nota ‘Liturgia, vida da Igreja’ da Conferência Episcopal Portuguesa (2025), para alertar que a formação não se pode reduzir a ensinar como se celebra, exigindo a compreensão do “porquê e o para que se celebra na Liturgia”.

D. José Cordeiro citou também o documento final do Sínodo 2021-2024, realçando a importância de “adotar estilos celebrativos que manifestem o rosto de uma Igreja sinodal”.

A reflexão inaugural recuou ao ano de 1926 e às origens do Movimento Litúrgico no país, recordando as palavras pioneiras do monge beneditino bracarense D. António Coelho.

“Sacudida pelo Sopro inspirador de Deus, a Igreja estremece, vibra, solta, envoltas em fórmulas e gestos que impressionam os sentidos exteriores do homem, as vozes interiores do Espírito”, citou.

D. José Cordeiro assinalou a passagem do primeiro centenário do I Congresso Litúrgico (1926), realizado em Vila Real, ligando esse marco histórico ao cinquentenário do encontro nacional anual que decorre no santuário mariano.

“A Reforma Litúrgica deu cumprimento ao refrão do Movimento Litúrgico: ‘levar a Liturgia ao povo e trazer o povo à Liturgia’. Com efeito, este labor inédito constitui um significativo contributo para a história da teologia litúrgica em língua portuguesa, no sentido de estimular o estudo da Reforma litúrgica para uma renovada pastoral litúrgica”, apontou.

A intervenção aludiu à constituição ‘Sacrosanctum Concilium’, do Concílio Vaticano II, para reafirmar a centralidade da Liturgia na vida cristã.

“A formação para a Liturgia e a formação pela Liturgia são lugar do encontro com Jesus Cristo e, simultaneamente, lugar de missão”, concluiu.

O Encontro Nacional da Pastoral Litúrgica decorre até 30 de julho e tem como tema ‘A Liturgia, vida da Igreja’.

Além das conferências e celebrações, a edição deste ano vai contar com a formação por grupos, sobre “Os mistagogos dos Encontros Nacionais de Liturgia” e sobre “Os compositores”.

OC

 

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