Missões: Curso de Integração Missionária ajudou a enfrentar o «medo das igrejas vazias»

Padre Marcos Canjongo é natural de Angola, onde as igrejas «estão a abarrotar de gente», e celebra na região de Mértola, por vezes para «uma, duas pessoas», e, com a irmã Maria do Céu, foi enviado em missão para Portugal

Lisboa, 27 jul 2026 (Ecclesia) – O padre Marcos Canjongo e a Irmã Maria Céu Marizane frequentaram o primeiro Curso de Integração Missionária (CIM) que ajudou a compreender o ambiente cultural e litúrgico onde trabalham, ele em 10 paróquias, em Mértola, e ela em Lisboa.

Em entrevista emitida hoje no programa Ecclesia, na RTP2, o sacerdote, missionário espiritano, disse que o CIM ajudou a enfrentar “o medo das igrejas vazias”, que sentiu quando foi enviado para a região de Mértola, para trabalhar na pastoral.

Um dos medos que enfrento e que enfrentei na altura e continuo a enfrentar é esta questão do medo das igrejas vazias”.

“Nós viemos – eu falo por mim e se calhar também pela Irmã Maria do Céu – de um contexto eclesial em que as igrejas estão abarrotadas de gente: crianças, adolescentes, jovens, adultos… E viemos para uma Igreja mais recatada, não diria pacata, mas mais silenciosa, menos participativa, do ponto de vista celebrativo, pouco sacramental”, afirmou.

 Natural de Angola, o padre Marcos Canjongo veio para Portugal como estudante de Teologia, em 2022 e, após a ordenação sacerdotal, a congregação dos Missionários Espiritanos nomeou-o para trabalhar em Portugal, nomeadamente na região de Mértola.

A irmã Maria do Céu Marizane é natural de Moçambique e pertence à congregação das Irmãs do Precioso Sangue, que tem em Lisboa uma comunidade de referência na história da congregação, por acolher religiosas que passavam por Portugal para aprender português e depois serem enviadas como missionárias para os países lusófonos.

O padre Marcos Canjongo recorda que, quando iniciou o trabalho pastoral na região de Mértola, sentiu também “outros medos sociais”, nomeadamente a “dinâmica económica e cultural” do ambiente em que está inserido.

Foto Missionários Espiritanos“Poder estar naquela formação, com vários jovens e receber estas ferramentas que te dizem onde é que estás e de que forma é que podias estar melhor, foi de facto uma grande valia”, recorda o padre Marcos Canjongo sobre a participação na primeira edição do Curso de Integração Missionária.

Para a Irmã Maria do Céu, foi muito importante participar no CIM, para “poder entender melhor” o meio onde está inserida, nomeadamente o ambiente da Paróquia de Santa Maria de Belém, onde participa nas celebrações paroquiais, na catequese e promove encontros com as famílias.

“Há coisas que acontecem em Moçambique e aqui não acontecem. Ou acontecem aqui e não acontecem em Moçambique”, lembrou a religiosa, exemplificando com a forma de ouvir o Evangelho: “em Moçambique, quando é o momento do Evangelho, nós sentamos para escutarmos a Palavra de Deus; quando chegamos aqui, as pessoas ficam em pé para poderem escutar”.

A irmã Maria do Céu referiu-se a significados diferentes, em cada um dos países: em Moçambique, estar de pé, “seria falta de respeito”, mas estar sentado, em Portugal, “seria preguiça”.

O primeiro CIM realizou-se em julho de 2024, em Fátima, e consistiu num conjunto de conferências, diálogo com os conferencistas e dois painéis, tendo contado com 74 participantes, oriundos de 19 nacionalidades.

Durante esta semana, decorre a segunda edição do curso promovido pelos Institutos Missionários Ad Gentes (IMAG), destinado a missionários/as, consagrados/as e leigos/as que vêm de diversos países e diversas culturas para Portugal.

No programa Ecclesia emitido hoje, na RTP2, a irmã Maria do Céu e o padre Marcos Canjongo recordam o seu percurso vocacional, partilham o trabalho pastoral em que estão inseridos e apontam as vantagens que sentiram com a participação na primeira edição do Curso de Integração Missionária.

PR

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