Sacerdote jesuíta, professor de Filosofia Social Política, destaca «voz forte» de Emmanuel Macron

Lisboa, 09 mai 2018 (Ecclesia) – O padre jesuíta João Vila Chã, professor de Filosofia Social Política, em Roma, afirma que a “Europa continua num estado de letargia” e que o presidente francês, Emmanuel Macron, “é hoje a voz mais forte” no ‘Velho Continente’.

“A Europa continua num estado de letargia, excessivamente distraída de si mesma, e isso quer dizer também das exigências que tem de assumir para garantir o seu futuro e a sua própria viabilidade como «corpo» de justiça e paz”, disse o sacerdote, em entrevista pelo ‘Dia da Europa’, ao sítio online ‘Ponto SJ’.

O padre João Vila Chã considera que a Europa não se pode fazer “sem lideranças fortes, inteligentes e capazes de mobilizar as forças políticas e, acima de tudo, a consciência da cidadania a nível europeu”.

“Como português, alegra-me saber que o presidente Marcelo Rebelo de Sousa alertou há dias para o facto de não poder haver europeus de primeira, de segunda ou de terceira”, assinalou.

Comemorado a 9 de maio, o ‘Dia da Europa’ remete para a Declaração de Schuman (Robert Schuman, ministro francês dos Negócios Estrangeiros), apresentada em 1950, que propunha a criação de uma Comunidade do Carvão e do Aço Europeia, a atual União Europeia.

O professor de Filosofia Social Política considera que os Papas mais recentes têm oferecido “excelentes discursos à e sobre a Europa”.

“Quando ouvi Macron dirigir-se aos católicos da França pensei o quanto terão sido marcantes para ele os dois discursos que o Papa Francisco fez em Estrasburgo, discursos notáveis”, recorda.

“Um presidente da República que alegasse desinteresse pela Igreja e os católicos falharia ao seu dever”, afirmou o chefe de Estado gaulês, a 10 de abril, num encontro com um grupo de representantes católicos para um debate inédito sobre temas sociais e culturais, por iniciativa da Conferência Episcopal Francesa.

“(Um) discurso, que considero fantástico e que nunca suspeitaria possível num presidente da França. É um discurso político e calculado, com o seu quê de oportunismo, cujo impacto não sei ainda como avaliar. É preciso tempo para ver como Macron se vai comportar quando questões fraturantes na sociedade, como sempre são nos nossos dias os grandes temas da bioética”, comentou o sacerdote da Companhia de Jesus.

O padre João Vila Chã revela que está “convencido de que o europeísmo de Macron é autêntico”, sendo parta si “a voz mais forte” que existe hoje na Europa.

Contudo, o sacerdote que há cerca de dez anos é professor na Universidade Pontifícia Gregoriana, em Roma, ficou “desiludido com a facilidade” com que Emmanuel Macron “alinhou com a posição do presidente dos EUA de retaliar na Síria”.

“Macron falou aos bispos e dias depois estava a alinhar numa atitude militarista, provando que uma coisa é o discurso ideal, outra a política real”, observou ao ‘Ponto SJ’.

CB/OC

 

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