Iniciativa foi preparada em Portugal com Ano Missionário, desde outubro de 2018

Lisboa, 30 set 2019 (Ecclesia) – A Igreja Católica vai viver a partir de 1 de outubro um “Mês Missionário Extraordinário”, por decisão do Papa, que procura promover comunidades mais abertas e dispostas a anunciar a sua fé.

Francisco anunciou formalmente a convocação deste mês especial em outubro de 2017, para assinalar o centenário da promulgação da Carta Apostólica ‘Maximum illud’, do Papa Bento XV.

O Papa espera que esta iniciativa sirva de estímulo para “superar a tentação frequente que se esconde por detrás de cada introversão eclesial, de todo o fechamento autorreferencial nas próprias fronteiras seguras, de qualquer forma de pessimismo pastoral”.

“Não temamos empreender uma opção missionária capaz de transformar tudo, para que os costumes, os estilos, os horários, a linguagem e toda a estrutura eclesial se tornem um canal proporcionado mais à evangelização do mundo atual que à autopreservação”, refere, na carta de convocação deste Mês Missionário Extraordinário.

Em Portugal, esta iniciativa foi precedida desde outubro de 2018 por um Ano Missionário especial em todas as dioceses católicas do país, com um convite da Conferência Episcopal, na sua Nota Pastoral ‘Todos, Tudo e Sempre em Missão’: “Sair. Irmos até uma outra paróquia, uma outra diocese, um outro país em missão, para sentirmos que somos chamados por vocação a sermos universais”.

Na reta final da iniciativa, D. António Couto, bispo de Lamego, considera ser necessário ter a consciência de que há muito por fazer para construir, como o Papa Francisco pede, “uma Igreja que caminhe”, ao lado de todos.

“A docilidade, a franqueza, as portas abertas, isso é o mínimo que nós podemos fazer. Acho que não fizemos o nosso trabalho de casa”, refere à Agência ECCLESIA o prelado, conferencista nas Jornadas Missionárias 2019 que decorreram em Fátima, entre sábado e domingo.

D. António Couto lamenta algum distanciamento das comunidades católicas face a este Ano Missionário, que se encerra com uma peregrinação a Fátima, no dia 20 de outubro.

“Estamos a chegar ao fim e a impressão que dá é que a gente não começou”, aponta.

Na Nota Pastoral ‘Todos, Tudo e Sempre em Missão’, a Conferência Episcopal Portuguesa defende a necessidade de passar de uma “pastoral de mera conservação” para “uma pastoral decididamente missionária”, reforçando o apelo à criação de Centros Missionários Diocesanos e Grupos Missionários Paroquiais.

D. José Cordeiro, bispo de Bragança-Miranda, também conferencista nas Jornadas Missionárias, assinala que “cada um tem de se assumir como uma missão”, dentro da Igreja Católica.

O responsável fala num sentido “positivo”, relativamente ao Ano Missionário em Portugal, esperando uma “continuidade no futuro”, a partir da “experiência pessoal” da fé.

“O desafio de uma nova cultura missionária passa por ser uma mesma missão”, precisa.

O Papa preside esta terça-feira, festa de Santa Teresa do Menino Jesus, à recitação de vésperas na Basílica de São Pedro, pelas 18h00 (menos uma em Lisboa), como forma de assinalar o início do mês missionário extraordinário.

PR/CB/OC

O Papa Francisco indica quatro dimensões para o Mês Missionário Extraordinário de outubro de 2019:

Encontro pessoal com Jesus Cristo vivo na sua Igreja: Eucaristia, Palavra de Deus, oração pessoal e comunitária.

Testemunho: os santos, os mártires da missão e os confessores da fé, que são expressão das Igrejas espalhadas pelo mundo.

Formação: bíblica, catequética, espiritual e teológica sobre a missão.

Caridade missionária: ajuda material para o imenso trabalho da evangelização e da formação cristã nas Igrejas mais necessitadas.

 

 

 

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