Igreja: Ordenação de bispos sem autorização do Papa é um «corte grave» na continuação do Colégio dos Apóstolos

D. Manuel Clemente lembra indicações essenciais do Concílio Vaticano II, como a liberdade religiosa, rejeitadas pela Fraternidade Sacerdotal de São Pio X

Foto: Agência ECCLESIA/MC

Lisboa, 01 jul 2026 (Ecclesia) – D. Manuel Clemente afirmou que rejeições “básicas” do Concílio Vaticano II pela Fraternidade Sacerdotal de São Pio X (FSSPX) e a ordenação de bispos sem autorização do Papa é um “corte grave” na continuação do Colégio dos Apóstolos.

“Os bispos são a continuação do Colégio dos Apóstolos e o Colégio dos Apóstolos tinha uma ‘cabeça’, Pedro, a quem Cristo disse ‘confirma os teus irmãos na fé’. Sem esta confirmação do sucessor de Pedro, não há, não pode haver eleição nem escolha de outros membros do Colégio Apostólico”, referiu D. Manuel Clemente.

O historiador afirmou que a ordenação de bispos sem a autorização do Papa “é um corte grave e a estes cortes se chama cisma”.

“se não aceitam, como é que podem estar aqui connosco se não aceitam coisas que para nós são essenciais e concretamente é a doutrina do Conselho Vaticano II?”, questionou D: Manuel Clemente.

É uma pena, é uma tristeza, é realmente uma grande tristeza, que entristece muito o Papa Leão XIV, como nos entristece a todos nós”.

A FSSPX, fundada por D. Marcel Lefèbvre (1905-1991), celebrou hoje a ordenação de quatro novos bispos, sem mandato pontifício, numa celebração que decorreu na Suíça e foi presidida por D. Alfonso de Galarreta, coadjuvado por D. Bernard Fellay, antigo superior geral da Fraternidade, dois dos bispos a quem Bento XIV levantou a excomunhão, em 2009.

No dia anterior à ordenação dos quatros bispos, o Papa Leão XIV dirigiu uma carta ao superior-geral da FSSPX, padre Davide Pagliarani, apelando que desistissem do “intento”.

Foto: Vatican Media

“O Papa Leão XIV tentou tudo para que isso não acontecesse, mas efetivamente esse grupo – que aliás são 100 mil pessoas em todo o mundo, dispersas – além de gostar de celebrar na liturgia do missal São Pio V, que é um missal do século XVI, não aceita muitas das orientações do Concílio Vaticano II”, acrescentou D. Manuel Clemente.

O especialista em História da Igreja lembrou que a FSSPX rejeita temas como “a liberdade religiosa, o diálogo ecuménico, o diálogo inter-religioso” aprovados pelo Concílio Vaticano II, que é a “maior autoridade do Magistério da Igreja”, e tem no horizonte regimes confecionais, propondo uma interpretação do catolicismo de uma “maneira tão estrita e não pluralista”.

“Já no tempo do monsenhor Lefèbvre, que já durante o Concílio resistiu a algumas destas propostas conciliares que eu enunciei, desde essa altura, que também dentro desse cisma apareceram outros sub-cismas e divisões e vão continuar a aparecer, porque quando as coisas nascem desta maneira, geralmente não acabam bem”, acrescentou.

PR

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