Igreja: Novo mapa paroquial, sustentabilidade financeira, presença nas escolas e proximidade com população são desafios para novo Conselho Pastoral Paroquial de Setúbal

D. Américo Aguiar quer Igreja a responder a «novos paradigmas de corresponsabilidade, transparência e partilha»

Foto Agência ECCLESIA/HM

Almada, 28 fev 2026 (Ecclesia) – D. Américo Aguiar afirmou hoje estar preocupado com a “presença da Igreja nas escolas”, pediu uma reflexão sobre a “sustentabilidade económica e financeira” das paróquias e deu conta que solicitou uma “proposta” de um novo mapa paroquial.

“Não se trata de um exercício meramente administrativo, mas de um discernimento missionário. A presença da Igreja não pode ficar prisioneira de mapas herdados ou de estruturas fixas. O que vier a resultar deste processo passará obrigatoriamente pelos vossos corações e pelas vossas orações — nos Conselhos Pastorais Paroquiais e no Conselho Pastoral Diocesano. Nada será imposto sem escuta. Nada será decidido sem discernimento. Nada avançará sem comunhão”, afirmou o cardeal e bispo de Setúbal no I Encontro dos Conselhos Pastorais Paroquiais da Diocese.

No Santuário do Cristo-rei, em Almada, o bispo de Setúbal deu conta de “novos paradigmas de corresponsabilidade, transparência e partilha”, e que a “sustentabilidade” financeira “está ao serviço da evangelização”.

“Coloco à reflexão sinodal a questão da sustentabilidade económica e financeira das nossas paróquias e da Diocese. Não apenas como tema administrativo, mas como condição para a missão”, indicou.

O cardeal D. Américo Aguiar quis deixar aos participantes “perguntas decisivas”: “O que diz hoje o Espírito Santo às mulheres e aos homens sadinos? Quais são os sonhos de Deus para este Seu amado Povo que peregrina em Setúbal?”

O I Encontro dos Conselhos Pastorais Paroquiais da Diocese, que irá reconhecer a equipa do Conselho pastoral Diocesano, foi ocasião para o responsável traduzir a sua “preocupação” sobre a presença da Igreja no espaço escolar, “particularmente a frequência e a lecionação da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica”.

“Trata-se de um espaço privilegiado de encontro com as novas gerações, de diálogo entre fé e cultura e de proposta de sentido. Não podemos desistir deste campo missionário”, sublinhou.

Foto Agência ECCLESIA/HM

D. Américo Aguiar falou também da necessidade de a Igreja estar próxima em “horas da doença, da morte e do luto nas nossas comunidades”: “A forma como acompanhamos quem sofre é medida da autenticidade do nosso Evangelho”.

O responsável partilhou ainda que tem recebido apelos para que as igrejas estejam abertas para além do horário das celebrações.

“Uma igreja aberta é sinal de um Deus acessível. É espaço de silêncio, de refúgio, de oração e de encontro para quem procura, crê ou simplesmente entra”, reconheceu.

O bispo de Setúbal, elogiando o funcionamento da Escola da Fé, afirmou a necessidade de “alargar o seu funcionamento ao território”, para que a formação chegue a todos: “Precisamos de crescer numa maior intimidade e conhecimento da Sagrada Escritura. Uma Igreja que não se alimenta da Palavra perde vigor missionário”.

Nas palavras que dirigiu aos participantes, D. Américo Aguiar agradeceu o “empenho pastoral de leigos e leigas”, “homens e mulheres que dão o tempo, coração, e vida ao anúncio do Evangelho”.

“Agradeço a todos aqueles que, nos últimos tempos, têm dado corpo ao caminho sinodal diocesano e, de forma especial, aos membros da nossa Comissão Diocesana, que com generosidade e espírito eclesial têm sustentado este processo de escuta, discernimento e comunhão”, enfatizou.

Traduzindo a experiência das visitas pastorais que tem desenvolvido na diocese, o cardeal Américo Aguiar afirmou que mais do que “estruturas, agendas e atividades”, tem encontrado “Cristo Vivo em todos os rostos — nos que servem, nos que rezam, nos que sofrem, nos que esperam, nos que, silenciosamente, sustentam a vida das comunidades”.

LS

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