Igreja: «Não sei se aqui haverá alguém que conheça tão bem o Algarve como eu», diz D. Manuel Quintas

Bispo diocesano, há 25 anos na região, classifica visitas pastorais como momentos «insubstituíveis» na missão episcopal

Foto: Folha do Domingo

Faro, 22 mai 2026 (Ecclesia) – O bispo do Algarve classificou a visita pastoral como uma dimensão “insubstituível” do ministério episcopal, assumindo que a proximidade territorial é uma mais-valia para a sua missão.

“Não sei se aqui haverá alguém que conheça tão bem o Algarve como eu”, disse à Agência ECCLESIA D. Manuel Quintas, natural de Trás-os-Montes, que há 25 anos desempena a sua missão na diocese do sul de Portugal.

“Esta expressão do ministério episcopal é insubstituível naquilo que diz respeito ao exercício do próprio ministério”, indica ainda.

O responsável católico destacou que a presença prolongada nas paróquias permite o contacto direto com escolas, autarquias, hospitais e associações, ultrapassando as fronteiras dos espaços religiosos habituais.

“Ser bispo de gabinete é uma contradição, é como um pastor que não acompanha o seu rebanho, que não está próximo, que não conduz”, sustentou D. Manuel Quintas.

De acordo com o direito canónico, os bispos devem visitar as paróquias e instituições católicas da sua jurisdição, pelo menos a cada cinco anos.

O bispo do Algarve sublinha que a articulação com os conselhos pastorais obriga a um trabalho prévio de preparação para definir o programa, garantindo que o líder diocesano permaneça na comunidade durante uma ou duas semanas.

“Venho hoje e só vou sair daqui quando terminar a visita pastoral”, referia D. Manuel Quintas às populações, assumindo a importância de pernoitar nas casas paroquiais durante a realização destes encontros, ao longo de oito dias.

O percurso de duas décadas e meia no sul do país permitiu um conhecimento geográfico e humano profundo da região, abrangendo o território desde Alcoutim até Aljezur.

“Dá a possibilidade de ter um conhecimento muito real daquilo que é o Algarve e eu tenho muita proximidade com as pessoas”, assinalou o entrevistado, recordando o contacto pessoal com doentes e idosos isolados.

No Concelho de Alcoutim, uma idosa disse-me: “senhor bispo, antes, quando a gente tinha um bocadinho mais de força ainda nos reuníamos na antiga escola primária”, que foi transformada em capela. “Agora já não temos força para ir lá, juntamo-nos aqui, na minha casa, e rezamos juntos, o terço”. Estive lá com eles a rezar e disse que, estando ali eu, é como se estivesse o Algarve todo.”

O bispo diocesano concluiu a sua última visita pastoral quando atingiu o limite de idade estabelecido para a apresentação da renúncia ao cargo (75 anos), em 2024, aguardando a nomeação de um sucessor pelo Papa.

“Com serenidade vamos aguardando, vamos invocando o Espírito Santo para que assista e inspire aqueles que têm a missão de escolher o novo pastor para esta diocese”, concluiu D. Manuel Quintas.

OC

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