Igreja: Festa de São Pedro «é porta» para quem chega pela primeira vez à paróquia do Montijo

Celebração de São Pedro, no dia 29 de junho, é marcada por procisssão «do Mar da palha» e procissão noturna que junta comunidades religiosas e entidades civis

Foto Agência ECCLESIA/LS

Montijo, 26 jun 2026 (Ecclesia) – Luís Saboia, da paróquia do Divino Espirito Santo, no Montijo, diocese de Setúbal, diz que a figura de São Pedro é uma “porta” na Igreja, que chama “muitas pessoas que vêm pela primeira vez” e contactam com a comunidade.

“São Pedro é porta da Igreja. Homem simples, pescador, ele é chamado e continua a chamar. Nós sentimos muito isso”, conta à Agência ECCLESIA o colaborador da paróquia e membro do Conselho pastoral.

Luís Saboia cresceu debaixo do altar na igreja do Samouco, a acompanhar os avós e aprendeu a olhar para as imagens dos santos e a relacionar-se com o significado do Sacrário; tendo formação em restauro, a vida profissional levou-o para o cultivo e arranjo de flores.

Colaborador da paróquia há mais de 20 anos, Luís Saboia explica que há 17 anos participa na preparação da festa e das procissões e que a cada ano a sua realização é diferente.

“O meu caderno tem 17 procissões e nenhuma é igual. A cada ano não se trata de copiar o que aconteceu no ano passado, mas melhorar. Eu recebi isto do Sr Araújo, colaborador da paróquia. O que ele passou não foi trabalho, mas amor, e este amor foi crescendo”, conta.

Há mais de 40 anos que a procissão “do mar da Palha ou do rio, como alguns lhe chamam”, se realiza.

“Esta primeira procissão acontece às 16h30, quando no cais se recebe a imagem e São Pedro, que nos chega por via marítima acompanhada por barcos engalanados e pescadores”, conta.

A imagem de São Pedro passa pelas ruas do montijo, em direção à igreja matriz, e volta a sair à rua para a procissão noturna, composta por 25 andores.

“São 25 andores, três bandas de música, as duas fanfarras e mais uma série de pessoas que se juntam, os funcionários da Santa Casa, os bombeiros, comunidades paroquiais vizinhas, os motard’s, associações, tertúlias e instituições que se juntam para uma procissão que não acompanha andando, mas que se assiste”, assinala.

Foto Agência ECCLESIA/LS

O andor que transporta a imagem e São Pedro encerra a procissão, que vai acompanhada pelos pastorinhos de Fátima e Nossa Senhora, Senhora da Conceição, São Jorge, Rainha Santa Isabel, Santo Isidoro, São Francisco de Assis, “logo a iniciar a procissão”, São Rafael, São Nuno de Santa Maria, São João de Brito, a Madre Teresa de Calcutá, o São José, o São João de Deus, a Madre de Deus, Santa Madalena, São Vicente de Paulo, traduzindo “uma grande religiosidade das pessoas”.

Todos os andores são ornamentados pelos cinco floricultores da região que “fazem questão” de usar apenas flores locais: rosas, gerberas, margaridas, lisianthus, gladíolos.

A procissão da noite assume um significado especial, pois as imagens de devoção visitam os locais do quotidiano das pessoas: “A imagem de São Pedro, por exemplo, faz paragens em alguns locais para a devoção popular: um afago, uma bênção, é uma manifestação que se prolonga por algumas horas”.

Por estes dias que antecedem a festa e até ao dia 1 de julho, as portas da igreja estão abertas até tarde.

“É muito triste chegarmos a alguma festa com um orago e termos uma porta da Igreja fechada. Não faz parte do que somos nem da mensagem de acolhimento que queremos realizar. É uma festa, é procissão, que é o alargar, que é o chamar, que é para envolver todos. As portas estão abertas e quem quiser pode passar, ver a ornamentação dos andores, entrar e rezar”, explica Luís Saboia.

A festa de São Pedro na paróquia do Divino Espírito Santo, no Montijo, vai estar no centro do programa ECCLESIA, com emissão na Antena 1, sábado às 06h00.

LS

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