«O interior, as pequenas aldeias, a fornecerem, entre aspas, há mais de 100 anos, muita gente para o clero», salientou José Fernando Martins

Mação, 06 nov 2026 (Ecclesia) – A Câmara Municipal de Mação vai dar relevo a “pessoas notáveis do concelho” e integra a organização do Ciclo de Homenagens a quatro homens de Cardigos, dois são padres, com relevância a nível nacional e internacional, até 2029.
“Pessoas ligadas ao clero, o padre Henrique Louro, José Tavares da Silva Júnior e o (ex) padre Joaquim Manso. O interior, as pequenas aldeias, a fornecerem, entre aspas, há mais de 100 anos, muita gente para o clero. E dentro da própria Igreja a grande oportunidade para a formação, para a aprendizagem, e quem tinha asas conseguia voar”, disse o presidente do Município de Mação, José Fernando Martins, em entrevista à Agência ECCLESIA.
Em comunicado, a autarquia já tinha salientado que são “4 ilustres Homens, todos da freguesia de Cardigos, que se destacaram a nível nacional e internacional, em diversas áreas, no século XIX”, o período de transição para o século XX em Portugal foi “marcado por uma geração de intelectuais e cientista extraordinários que deixaram um legado da maior relevância para a história da ciência, em particular, e da cultura, em geral”.
O padre Joaquim da Silva Tavares é a primeira pessoa célebre natural de Mação que vão homenagear, com um simpósio internacional, esta sexta-feira e sábado, dias 6 e 7 de novembro, na freguesia de Cardigos e na sua aldeia natal.
“E Casais de São Bento vai ter muito motivo de orgulho por um seu antepassado, que ajudou também a colocar este pontinho de Portugal cá no interior no mapa, e toda esta oportunidade de irmos às origens do padre Joaquim da Silva Tavares é extremamente importante”, referiu José Fernando Martins.
O padre Joaquim da Silva Tavares (Cardigos, 17 de Agosto de 1866 – Paris, 2 de Setembro de 1931), sacerdote da Companhia de Jesus (Jesuíta) que fundou a Revista Brotéria, no ano de 1902, em Louriçal, nasceu há 160 anos, no lugar de Casais de São Bento, de onde saiu aos 14 anos e “passou a ter uma vida notável”.
Segundo o presidente da Câmara Municipal de Mação, na Diocese de Portalegre-Castelo Branco a adesão ao simpósio internacional “vai ser muita, porque é mesmo inspirador”, e entendem que “será uma boa iniciativa, que vai trazer muito debate e muito conhecimento para a nossa atualidade”.
A autarquia, que integra a Comissão Organizadora do Ciclo de Homenagens a quatro cardiguenses, que se destacaram em diversas áreas a nível nacional e internacional, que vão realizar até 2029, homenageou, com mais quatro freguesias, o padre Amândio Mateus, pároco de Mação, Ortiga, Penhascoso e Aboboreira, pelos “20 anos de dedicação”, no dia 18 de outubro.
“Existe aqui um grande elo com a Igreja, porque efetivamente é um dos pontos de ligação com toda a sociedade; a Igreja ainda marca, ainda tem o seu território, e nesta região, neste interior do interior ainda vivem pessoas de fé”, explicou José Fernando Martins.
O autarca salientou que hoje “existe uma grande crise de valores”, nos meios rurais a sociedade era “muito organizada em torno das igrejas e da religião, e de uma educação religiosa”, há um afastamento mas em meios como Mação “ainda existe uma forte crença, ainda existe uma grande afirmação da Igreja”.
Sobre a atualidade e a falta de oportunidade nas cidades, nomeadamente de acesso à habitação, e das oportunidades fora do litoral, o presidente da Câmara Municipal de Mação recua seis anos para explicar que a “pandemia teve coisas muito más, mas também teve coisas muito boas”, nomeadamente os “muitos casais jovens que foram para a casa dos pais e dos avós, neste interior, para terem uma vida mais desassossegada”.
“Desde essa altura, temos tido muitos casais jovens que têm regressado para o interior, com as oportunidades que a pandemia também trouxe, que foi o teletrabalho, temos já um grande grupo de pessoas que prefere viver aqui, que tem uma vida muito mais tranquila da correria da cidade”, desenvolveu.
José Fernando Martins observa que Mação é “um concelho do interior ardido muitas vezes, não tem grandes empresas, muita oportunidade de empregos”, mas com o teletrabalho e do emprego poder estar na sua própria casa “isto dá aqui uma nova esperança destas pessoas”.
“E, felizmente, que a população, principalmente na vila, tem aumentado graças a isso, e, portanto, deixa aqui alguma esperança para o interior, não é desta ainda que o interior vai cair, porque há aqui alguma esperança que o interior poderá renascer”, concluiu o autarca maçaense, dando conta o número de alunos das escolas tem “aumentado significativamente”, com alunos a imigração e a migração.
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